segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Solum

Boa noite,


O nome deste capítulo inicialmente seria apenas "SÓ". Mas ficaria confuso e só em latim pareceu melhor.
Eu flertei por muito tempo colocar em Solum a origem da Mancha negra. Mas a ideia da mancha negra (SPOILER) é não ter explicação. É intuitivo que há uma perda, mas a questão deveria ser quem está perdendo. Que no caso sendo o controle.
Esse momento eu acabei adiando. Solum cumpre então a função de pré-clímax e de destruição da imagem de Kréshn. É quando ele se livra das correntes do controle, de um propósito embebido nele até em seus genes. E é quando o propósito assume uma nova imagem, de morte em vida.
Também esse capítulo termina o ponto da identidade de Adam. Esse acabou sendo o maior corte que fiz neste capítulo. Adam estaria recuperado da investida de Bastian e também livre da influencia do seu melhor amigo. O que restaria cumprir seu papel de encontrar o sinal.
A liberdade assume um papel importante na vida de Adam e pela primeira vez. Esse seria o significado da sepultura de Shura, Mas no final acchei que na prática ele voltar só para sepultar seria... pouco prático. Apesar de simbólico, isso nunca aconteceria.
Uma faceta importante da libertação foi a loucura. No final deste capítulo ele já demonstra uma depressão pela liberdade. Mas quando confrontado com suas certezas, a loucura se torna a opção. Adam quer recorrer ao seu amigo várias vezes, como uma forma de concordar e transferir tudo o que Shura destrói nele sobre Kréshn para Bastian, mesmo sabendo que ele o traiu.
Esse tópico de loucura, assim como escape dele, construído dia após dia, sendo pego algumas vezes e tendo que refazer seus planos desde o começo foi detalhado diversas vezes. E eu tive que cortar por ficar muito longo e no final os elementos necessários foram colocados: a mente fragmentada e reestruturando de Adam e a liberdade frente a qualquer amarra que ele tivesse.
Quem sai dese planeta é só Adam. Sem influencia de Kréshn, Bastian, Christine ou a dúvida em relação a Heitor.
Heitor teria um papel maior e ele estaria parcialmente desconfigurado, mas a ameaça de Shura foi mais curto e fez mais sentido.
Também era importante mostrar como seria a colonização de um planeta, com a alteração da atmosfera, flora e fauna.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Olimpo

Boa tarde,

O capítulo do Olimpo é facilmente associável filme Matrix e isso não é por acaso. À parte de  as máquinas enganarem os seres humanos para transformá-los em bateria, acho muito possível essa realidade.
Vejam as tecnologias que existem hoje. Por um lado existem os jogos de RPG estilo War craft que se pode "caminhar" por uma nova paisagem. Também existe o google street view em que se pode "caminhar" pelas ruas do mundo no ponto de vista do pedestre. Os óculos de realidade virtual estão se desenvolvendo junto com tecnologia 3D. Fones de ouvido já não são novidades.
Então das percepções faltam o paladar, o olfato e o tato para serem "enganados" pela tecnologia. e a tendencia é a união dessas tecnologias somadas às tecnologias das outras percepções se aperfeiçoe. Então, se esta tecnologia de fato acontecer e os estímulos cerebrais puderem todos advir de máquinas, que propriedades, equipamentos e demais dispositivos físicos serão necessários? Porque não morar num local distante de 2 metros quadrados?
Existem vários filmes que exploram a segunda personalidade, ou persona, ou personalidade das pessoas no mundo virtual.
Mas o valor que será perdido pelo mundo se o mundo virtual ficar mais atrativo não.
Em essência é isso que o capítulo trata. Mas é óbvio que quis detalhar as "construções do mundo virtual" também. No final o que resta é a desumanidade e a crueldade que Adam contra-ataca na mesma medida quando retorna ao mundo físico.
A crueldade também se reflete na necessidade de guerras pelos habitantes do olimpo que, quando gerenciam o mundo físico, expandem essa mesma atitude para os outros habitantes menos que humanos que se poderia inclusive levar a discussão para separação de espécies e quem de fato está por trás da imagem dos habitantes do Olimpo.
Sobre os Titãs, essa é uma alegoria para o mundo paralelo. É óbvio que Muriel e Kréshn disputam o mesmo mundo, um por cada meio, o físico e o outro o virtual. Na mitologia da titanomaquia a guerra entre Deuses e Titãs se desenvolve com um lado ganhador, Deuses, que por final castigam os Titãs em punições eternas. Adam acaba por escolher o mundo físico e o controle de Kréshn e permite a entrada dos humanos numa nova titanomaquia.
Mas existe um outro aspecto importante: o olimpo é a continuação de Alótropo, que aborda o conflito da personalidade e controle da perfeição. E neste caso o Olimpo quer dominar o corpo perfeito para usar a imagem de perfeito e controlar os demais.
A imagem se torna uma engrenagem do robô.
E está é uma afirmação forte para ser levado para os demais planetas.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Alótropo

Boa noite,

O nome e o planeta Alótropo surgiu de uma necessidade de corte, organização e metáfora.
Vamos do final para o começo:
A metáfora vem porque alótropo significa uma das arquiteturas moleculares que um mesmo composto químico pode ter. No caso co carbono (C) você pode ter as quatro ligações de diversas forma sendo que o formato triangular trás o famoso diamante. A questão é que a mesmíssima matéria, organizadas de formas diferentes pode ter propriedades completamente diferentes. a metáfora seria sobre o corpo perfeito e a mente que o habita.
Sabendo que nanomateriais, ou sejam, circuitos, robôs e construtos do tamanho de moléculas, e sabendo que a engenharia genética pode construir células e implantá-las transformando o corpo, por exemplo usar células troncos para formar muculos ou órgãos, sabendo dos dois e sabendo que já é possível clonar um ser humano, não seria possível arquitetar todo um corpo para que servisse a uma função programada? Como um robô feito de células?
Esse é o capítulo mais importante do livro, pois levanta a pergunta: Quem habita o corpo perfeito? O Indivíduo, o sistema ou um invasor?
E por mais que isso possa parecer muito distante, a metáfora esta no dia a dia. As pessoas são condicionadas por suas funções sociais, seduzidas por necessidades de outros e lutam por seus espaços para ser quem são.
Não vou me ater mais à metáfora. Mas queria lembrar que cientificamente estamos próximos de algo assim ser possível.
O aspecto organizacional se deu porque este era um capítulo muito longo que se passava apenas na nave. Havia a ideia de loucura mas nenhum lugar externo físico. mas precisei dividir esta ideia por mais capítulos. então para marcar o passado em nomes de planetas acrescentei este detalhe.
Interessante pensar que um planeta é um detalhe.
A organização já explica a necessidade de corte também. Os outros conceitos eu coloquei em episódios mais curtos e menos técnicos pelos capítulos adiante. A relação de mutação e de clonagem havia sido muito mais explorada. Assim como (SPOILER) o aparecimento de Bastian na mente de Adam.

Hoje só essa pílula, pois nos capítulos adiante retornarei a este conceito.

Abraços.

sábado, 15 de outubro de 2016

Exodus

Boa tarde,

O capítulo de Exodus é um novo da última versão. Inicialmente seria apenas na nave detalhando o relacionamento entre Adam, Bismark e o robô. A ideia a colisão de mundos, ou a colisão entre habitantes de dois mundos. Inclusive acho que esse foi o primeiro título. Um representa o Status quo e outro a mudança.  O robô está ausente. Mas como na primeira versão Adam tem uma desconfiança com o robô e não sabe se deve aciona-lo, mas o último dilema depende do robô, seria algo como a percepção humana em relação à tecnologia e ciência, quando as populações se desesperam a não confiam nos resultados.
Recentemente em conversas obtive uma opinião que corrobora esse ponto de vista: o fundamentalismo tende a surgir com o surgimento de novas tecnologias, por que a ignorância e incerteza em relação a novos conhecimentos faz as pessoas a buscarem o contraponto ao novo: Os fundamentos. Então as sociedades se polarizam em extremos até o conhecimento ficar comum.
Achei interessante.
Voltando ao que foi escrito, esse capítulo apresentava falhas diferentes. Não era tão técnico nem tão longo, mas eu precisava passar uma necessidade de atitudes sub reptícias pelas duas partes. Mas o fato é que ficou confuso e o desfecho meio desconexo, por que Adam toleraria torturas até se ver livre.
Eu acabei encurtando o capítulo por se mais direto, e o planeta Exodus, que é sim uma clara referencia bíblica,   Atende a duas necessidades: Marcar a narrativa em planetas e mostrar um pouco de como seriam essas sociedades. Mas não entrei muito adiante, pois descrever mais seria entrar numa ceara de desenvolvimento tecnológico permitido pelas religiões e como isso mudaria as sociedades dentro do permitido por cada religião. Acho inclusive que esse seria um tema interessante, só não é o que eu queria falar neste livro.
Neste ponto também fica mais claro a regressão evolutiva das sociedades. Esse foi um conceito que fez sentido ao longo do livro. Existirá o risco em novas colonizações das populações retornarem às formas de produção que conhecem dado medo e incerteza. Por exemplo na colonização das Américas, a priori só se praticava extrativismo e agricultura.Para todo o resto era uma terra sem lei que os colonizadores se apegavam à religião.
Por final a história ao longo do arquipélago precisava de um desfecho e pontos de vista diferentes dos controladores. Os religiosos estarem em paz apenas nas suas salas de comunicação "internacional", mas manipularem as religiões para inclusive vingança livra o leitor de achar que algum dos lados tem uma ética absoluta ou resposta ou bondade. (SPOILER) O fato de disfarçarem Bismark de um messias que todas as partes envolvidas sabiam ser falso permite ao leitor entender que o controle religioso ou tecnológico são apenas modos humanos, com características semelhantes e orientações diferentes. Mas em essência falhos por criar um ambiente artificialmente controlado.
Deste ponto o leitor pode abraçar as incertezas, o estranho, o estrangeiro.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Arquipélago do credo

As idéias desse capítulo vêm de que as regiões mais fundamentalistas de cada religião acabam se isolando.
Também Arthur C. Clark fala que existem mais estrelas no universo que fantasmas na Terra, então seria possível que todos fossem donos de seus próprios mundos.
Então eu imaginando que um dia encontraremos uma região no espaço cheias de planetas habitáveis, o que imaginei sendo duas galáxias se fundindo, o que levaria milhões de anos para acabar, cada planeta poderia habitar uma religião fundamental que não aceita discussões.
Obviamente eu poderia explorar mais, mas só quis colocar o conceito por necessidade de tamanho de texto. Também, explorar um mundo 100% cristão seria um tema, outro 100% Islâmico seria outro e assim por diante. Não era a proposta.
Também não queria desenvolver essas sociedades, apenas, digamos, os "departamentos internacionais", que por necessidade conversariam com outros planetas. Para resumir isso que criei a Capitã Bismark, que inicialmente nas primeiras concepções seria homem, que investigando Adam contaria essa história.
A briga com ela, a fuga de Adam, a traição para o lado dos religiosos e a fuga dessa galáxia foram amplamente detalhadas e refeitas até ficar aceitável. Mas ficaram muito técnicas. Acho que o conceito por si só está explicado e é o que é importante.
A traição para o lado religiosos em si de uma certa forma amplia a separação de Adam com o "sistema da humanidade". Também essa humanidade começa a se resumir no Controle da Terra. Mas existe um conflito que não havia pensado antes:
Tecnicamente uma Religião é um sistema de controle humano. E para se rebelar, ou se separar do sistema vigente, se apoia em outras formas de controle sejam antigos, puros ou simplesmente diferentes. O que isso representa? Agora pensando penso que o espírito foi a pluralidade. Mas pode ser um tipo de "eterno retorno" em que a necessidade por controle é inescapável e natural. Também pode ser um tipo de balanceamento com o capitulo anterior que ofereço uma crítica mais clara. Pois no fundo acho religião um parte importante da humanidade, que deve ser representada, mas que não quero que seja o cerne da minha discussão.
Uma nota importante: Quando me refiro a pureza me refiro à pureza Alemã, de Kant. Esqueça o sentido de bondade. Eu quero remeter ao cerne, Ao objeto em si sem concessões, misturas, contaminações, opções, braços, incrementos, mudanças ou transformações. Porque? Por que no fundo o livro é sobre propósitos, mas num mundo tecnológico ultra computacional não haveria o inicio de um conceito imperfeito a ser aperfeiçoado ao longo do caminho, o conceito seria perfeito a priori. e as consequências inegociáveis.
Neste capítulo a primeira parte foi inteiramente nova, quando Adam entra numa nave morta. Inicialmente eu colocaria um conflito com Heitor que deixaria uma questão se o robô estaria contra Adam ou não. Mas essa parte foi inteiramente cortada. Mas eu já havia imaginado que num mundo de pluralidades que se isolam haveria um comercio intenso. Que pensei inclusive em explorar alguns piratas espaciais. Mas fez sentido que a base de Bismark eventualmente mataria a todos. e me daria um mistério interessante mantendo o aspecto de solidão.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Alcebíades

Alcebíades é um personagem grego, criado como filho adotivo por Péricles. Este último foi o grande defensor e general tendo sido eleito líder dos atenienses por 11 vezes, só tendo perdido uma eleição, as quais eram anuais. Por suas habilidades Péricles manteve uma "paz" com Esparta na primeira fase da guerra do Peloponeso com grande vantagem para Atenas e com poucos conflitos determinantes, se não a tomada de uma pequena terra litoral Espartana na qual puderam construir uma base para o controle da situação.
Alcebíades foi criado em parte para substituí-lo e em parte para levar Atenas à gloria. Mas por nunca ter conseguido a glória que quis, Alcebíades mudou de lado inúmeras vezes. Chegou a liderar os espartanos em incursões contra Atenas e até mesmo lutou ao lado dos persas, como líder contra Atenas e aliado de Esparta.
Quando Alcebíades se sentia ameaçado fugia, por que muitas vezes sua vida foi ameaçada quando as vitórias não vieram. Por fim tentou retornar para Atenas como o grande salvador na hora mais negra. Mas as negociações não foram adiante por que o General à época não quis dividir as glorias. Várias contribuições de Alcebíades contribuíram de forma determinante para a derrocada de Atenas para que enfim perdesse a guerra do Peloponeso.
Alcebíades foi o grande Traidor de Atenas.
Essa deveria ser a grande dica para os leitores de que haveria uma mudança de curso a partir dai. Essa lua nas primeiras versões do livro não existia. A traição aconteceria na saída de Terra Nova. A lua de Alcebíades foi a primeira alteração de um padrão para facilitar a leitura. Eu quis chamar os capítulos do passado de planetas, os capítulos iniciais de personagens e os do futuro de referencias a efeitos de aproximação a um buraco negro.
Não ficou tão preciso, talvez um pouco mais poético os nomes, por que fiquei apegado em alguns momentos. Mas acho que de certa forma a divisão ficou boa para o entendimento do leitor. Apesar de que os nomes dos planetas não são familiares aos leitores.
Eu havia descrito todo um drible e um estilingue com a gravidade da lua com a de Terra Nova. mas novamente as explicações ficaram muito longas. Também o fato de que Terra Nova, ou outra base poderia ter hackeado o controle da nave e resolvido uma tomada dessas foi amplamente descrito e solucionado com uma contra ofensiva com hackings de Adam para os enganar. Mas ficou longo e aparentemente só eu achei excitante.
A unica explicação que não consegui dar foi como as dobras espaciais se abririam sem que os planetas se comunicassem e impedissem. Eu pensei numa série de sistemas automáticos e/ou autônomos que os planetas não tivessem controle, porque eles terem poderia ser trágico. Mas acho que não afetou muito a cena. Então poupei escritas a serem cortadas.
A questão é que é nesse ponto em que Adam ataca a humanidade e vive e versa. O que pelas implicações Dawinianas poderia-se dizer que da separação haveria uma mutação. Claro que nada é tão explicito no texto, mas esse é o ponto de mudança do que um humano condicionado, mesmo pelo conflito de uma ordem com "A" ordem criasse pensamento.
Pessoalmente é por isso que eu admiro a rebeldia, porque é o primeiro momento em que se questiona o que o senso comum diz funcionar perfeitamente.

Abraços.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

TERRA ZERO

Boa noite,

Esse é o primeiro planeta que Adam visita. Tecnicamente o segundo, porque pousam na lua Alcebíades. O propósito seria uma sociedade ultra capitalista. Eu flertei com a ideia de transformar a Terra num repositório técnico de humanos e esse ser o primeiro planeta com vida, com características realmente humanas entre erros e defeitos. O local mais próximo que me lembra era a cidade do filme IA-Inteligência Artificial. Mas ao longo do que fui desenvolvendo muita coisa mudou.
Tudo começou com uma igreja católica que tem perto de onde eu moro. O meu bairro tem mais igreja que fiéis. E todas elas parecem um cassino. E a ideia de uma igreja-cassino foi todo o driver para esse capítulo. Não que eu seja religioso, mas para mim parece que o grande filão dessas igrejas do meu bairro é competir entre si para ver quem ganha num campeonato de humildade. Mas de forma nenhuma quis oferecer uma crítica moral e tentar moralizar as igrejas, nem que fosse as do meu bairro, mas pelo contrário acho que esse é o futuro, a verdadeira evolução deste mercado.
Eu ia ser mais agressivo, mas amigos talvez tenham me influenciado sem que eu tenha percebido. Mas o que uma igreja tem de diferente de um cassino? A casa não sempre ganha em cima de uma ilusão? E porque oferecer uma só? No futuro a tecnologia poderá oferecer todas. Eu gostei especialmente das maquinas caça-níquéis religiosas.
A grande dificuldade era porque ele quereria quebrar tudo. (Spoiler) No fundo seria por causa da saudade de Bastian, mas não é a hora do leitor saber disso mas desconfiar, então teria que haver uma provocação. Esta provocação ficou difícil para que eu a achasse.
Por outro lado eu precisava posicionar dois eventos: O reencontro com Christine e a herança de Bastian. Então achei que os dois eventos por si só teriam a relevância para o livro. Então abandonei essa confusão, o cassino seria apenas um lugar importante da cidade que por isso teria o suporte para a herança de Bastian.
A herança de Bastian também foi descrito com exaustão. Mas obviamente cortei.
Christine manteve seu papel, de tentar desviar o caminho de Adam, mas muito menos agressivamente.
Por final eu percebi nas primeira versões eu só falei da parte alta da cidade. Bem pouco da descrições de quem trabalhava na cidade. Numa alusão acidental aos Elóis e Morloks. Então quis ir até a Muralha e mostrar que a vida de quem estava lá além de ser com propósito era feliz e produtiva, então a diferença e valor das sociedade estava mais na percepção de quem habitava aonde. O que agora percebo outra alusão acidental ao Admirável Mundo Novo.
Acho que de todos os planetas que Adam visita, Terra Zero é o que tem mais potencial para ser explorado e o único que eu pensei em mais histórias.
Por último só gostaria de dizer que o nome que uso menos e é o nome oficial do planeta, Terra Nova, foi escrito antes da série de TV de mesmo nome que alias nunca assisti. Não quero me defender ou mesmo ficar ofendido, só quero registrar esse fato.

Abraços.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Clareando as idéias principais

Boa noite,

Essa é uma postagem com SPOILERS. Vou clarear um pouco as idéias principais do livro para quem estiver interessado em ler ou está lendo mas tem alguma dúvida.


  • A renovação: Um cirurgião pega um cérebro de um corpo velho e coloca no clone mais jovem da mesma pessoa. Simples assim, o resto é pirotecnia. Eu pensei e me foi sugerido escrever só sobre isso e o porque o melhor amigo de  alguém passando por esse processo escolheria não fazê-lo. Mas sendo honesto comigo mesmo, numa realidade com essa tecnologia seria necessário habitar novos planetas. então eu gastei muito tempo pensando num propósito de se viver. Um deles seria criar algo, outro seria conhecer coisas novas. 
  • Explorar novos planetas; durante muito tempo flertei com a ideia de que realidades diferentes seriam um sonho. Como um "O magico de Oz" ou "Alice no país das maravilhas". Esses dias um amigo chamou de "Um pequeno príncipe" com "Matrix". Mas a parte de sonho, ou delírio ficou complexa e abortei.Na verdade eu não tinha sociedades diferentes em mente, mas sim lugares, talvez um pouco surreais. Mas fazia sentido ele querer ir. A surpresa foi eu me interessar tanto pela personagem Christine. Eu demorei demais para me convencer a fazê-lo deixá-la. Mas ele precisaria estar sozinho. A solidão é um aspecto fundamental da viagem. A pureza das coisas é: viver só, porque estar vivo, existir é desejável? Acho que no fim os planetas significam a busca por propósito.
  • Robôs e o condicionamento: Hoje acordamos antes das 7 para trabalhar até as 5, quando é possível, chegar as 6 em casa ficar exausto, comer, tomar banho, e ter de 3 a 4 horas para fazer algo, sendo que em geral envolve exercícios e televisão. Nós já somos condicionados. Heitor seria um comparativo, pois a palavra robô significa escravo. E por este lado as leis de Isaac Asimov fala que um robô não pode ferir humanos, deve obedecê-lo e se proteger. Bom, eu quis criar leis diferentes que obedeceriam ao controle da Terra. E por isso Adam passaria muito tempo reprogramando justamente para mostrar que ele não consegue fugir de seu condicionamento.
  • A mancha negra e o sinal fantasma: A ideia por trás destes dois itens é a ideia literal de romper a fronteira do espaço. eu gastei muito tempo pensando em como poderia ser do outro lado e descartei praticamente tudo. mas o ponto de haver uma missão que o compele a ir sempre em frente resolvia muitos problemas e encurtava muito o livro como um todo. mas e então, e quando você alcança? Volta pra casa? Começa de novo? Mesmo depois de mil anos? Por isso quis que as histórias convertessem, pois o fim de duas jornadas poderiam clarear os mesmo questionamentos. Depois que você exaure as opções, porque continuar. E quem continua a partir dai.
  • A destruição da Terra. Esse é uma construção de conceitos que ficou complexa. A sociedade fictícia e condicionada evoluiu em mil anos. A sociedade ficou mais extrema no condicionamento. Então eu precisava subverter o condicionamento para sequestrar a todos. Assim traria de volta o medo da morte e assim fazê-los pensar em vez de existir por inercia. Mas acho que fui muito longe neste caso.

Existiram outros conceitos mas estes são os mais importantes, esperam que tenham gostados.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A prestidigitação das palavras.

Tudo que um autor pode fazer com sua ideia é embaralhar e embaralhar até o leitor achar que ela desapareceu.


É assim que eu penso, mas acho que essa frase não é minha porque na verdade já escutei algo parecido com artistas ou diretores. De um jeito ou de outro pego um filme que muitos devem conhecer, Rocky.

No começo do filme todo mundo sabe que vai haver uma luta em que tudo está em jogo. Mesmo assim todos torcem por Rocky. E de um jeito ou de outro gerou 7 franquias. Porque? Acho que artisticamente falando só vale a pena falar dos I e II, até porque o I foi pensado, produzido e co-dirigido pelo então desconhecido Silvester Stalone. O II também, mas então já era conhecido.
O Fato é que Rocky é um homem simples, um cidadão comum, sem nenhum talento particular que deu a sorte, ou azar, de ser branco. Por ser pobre e sem educação não tinha outra perspectiva se não lutar. E tudo é difícil pra ele, trabalho, treino (que só pode fazer no açougue ou correndo na rua), convencer Mickey a treina-lo, conquistar Adrian, aguentar os socos de de Apollo e até conseguir a benção do padre. Mas tudo isso são obstáculos que o público pula junto Rocky E chega na luta final.

Meu livro acho que compliquei um pouco mais:

Primeiro que acho que um trabalho importante foi a parte tecnológica espalhada pelo livro todo. Eu fiquei um pouco decepcionado comigo pelo fato de alguns leitores acharem essas partes como um obstáculo. Eu tentei deixar o mais light que pude, mas para ser realista com tecnologia, para não ser uma varinha de condão em que de repente tudo funciona, tive que entrar em detalhes. Alias, sugiro para futuro leitores que se você não for um fã de tecnologia para ler sem se preocupar tanto com os detalhes, pois as tecnologias são isso mesmo, tecnologias! máquinas, programas, procedimentos.

Em segundo lugar fico contente com algo que foi muito difícil que foi a narrativa vai e volta. Pelos leitores atuais eu vejo que funcionou. Essa narrativa era muito importante porque na verdade é uma iteração para um ponto. Os dois caminhos, tanto no passado quanto no futuro convergem para um mesmo significado e é isso que da sentido ao final. Mas no final temos a exploração de planetas comparada com a exploração da sociedade.

Acho que não há mais complicações que isso, mas mesmo assim, aparentemente, consegui criar um suspense bom que interessa o leitor até o final.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Tecnologias parte 2

Quero agora aproveitar para postar e detalhar outras tecnologias que eu imaginei, mas cortei pelo tamanho, mas que também possuem bases plausíveis:


"As naves cruzadoras tinham por princípio sustentar a vida por períodos longos. Sendo que a maior parte do tempo seria dada à hibernação. Então surgiu a necessidade de uma nave ser construída no espaço. E nunca pousam na Terra ou em planetas conhecidos, apenas em planetas desconhecidos que há procedimentos para entrada com a nave toda, e mesmo assim, em casos extremos. Uma nave cruzadora também pode ser pousada para constituir uma atmosfera terrestre. Na Terra apenas naves de curto alcance para as estações orbitais onde elas ficavam estacionadas esperando a viagem logo depois de prontas. As naves cruzadoras são construídas exclusivamente para uma viagem específica, sem esperar retorno, com naves construtoras robôs e com matéria prima processada de planetas em usinas orbitais e cadeias de suprimentos de diversos planetas e luas. As placas de aço são fabricadas com um spray de metal derretido, de várias bitolas, que forma uma lâmina no espaço, que logo é cortado e acabado para a nave de forma a facilitar a construção do ambiente, criando várias estruturas. Depois nas naves são instalados dispositivos até sua operacionalização e enfim, têm-se uma cidade móvel."

Essa ideia vem do fato de no planeta OGLE-TR-56 se chove ferro derretido. Em diversos planetas há nuvens que poderiam ser sugadas, como nuvens de metano formando diamantes, e  jateadas para o espaço, o que facilitaria a produção de qualquer coisa.

"Os estimulantes distintos começam a ser usados. Para melhorar a eficiência Um padrão de exercícios é programado para se manter acordado por quatro dias de trabalho. Para economizar energia Adam fica sentado numa cadeira com uma tela de exibição verde à sua frente e a rede de eletro estimulação em arco de meio metro de diâmetro e sua cabeça ao centro. Em sua Coluna Cervical introduziu agulhas que o estimula eletricamente em baixa freqüência, exatamente como a parte elétrica de uma máquina de eletro-foto estimulação, mas mais eficiente com o objetivo de mantê-lo acordado. Nos quatro dias ele conseguiu com Heitor montar este equipamento. Agora precisa experimentá-lo."

"As máquinas enterram até o centro de cada lado do cérebro as agulhas, acomodam os finos cabos e fecham a incisão que contêm a pulseira de estimulação. Ligam alguns chips para monitoramento na pulseira de restauração da coluna vertebral e também a deixam dentro do corpo de Adam. Por fim o hibernam. No estado hibernado, monitoram a reconstrução de tecidos até que o humano esteja fora de risco. Estimulam pontos defeituosos para que lentamente se regenerem. Não conseguem fazer verificação sobre a memória de Adam, mas lentamente reconstroem o cérebro auto-lesionado dele. Dado do estado criogênico da hibernação alem do processo de recuperação natural do corpo humano, essa situação se prolonga por 9 anos."

Ultimamente eu cruzei com alguns artigos, inclusive envolvendo o nome de Stephen Hawking sobre coisas que podem acabar com o ser humano. Uma delas seria o transhumano, humanos que são alterados geneticamente para serem superiores e por fim se tornaria uma outra espécie que caçaria os humanos. Quando eu escrevi essas passagens, ou mesmo a arquitetura perfeita de Adam, não pensei nisso, mas acho muito legal ser algo que tenha tido a atenção de outras pessoas. Essas passagens seriam o começo de Adam se alterando.

Por último queria ressaltar que a Foto-Eletro-Estimulação seria uma espécie de cinema em que alguns pads ligados à pele de quem experimenta estimulando mais as ondas que por fim melhorariam o aprendizado. E recreativamente seria o grande entretenimento da época e o preferido de Adam.

É isso ai, abraços.

domingo, 2 de outubro de 2016

Tecnologias parte 1

Eu deixei claro no livro que o tempo em que ele se passa é num futuro distante. Mas existem já diversas tecnologias e conhecimentos no mundo de hoje que permitem a extrapolação para a escrita e para outras formas de arte. Particularmente eu acredito que o primeiro passo para inovar é imaginar algo novo. E dessa nova ideia se espraiam conhecimentos e testes e a realização do que um dia foi só um sonho.
Então vamos por partes.
Em primeiro lugar vamos falar da China. Esse país vem anunciando que tem planos para automatizar toda a sua produção. Ou seja, a mão de obra chinesa pode se tornar 100% composta por robôs. Não quero entrar num debate técnico, mas se a china fizer os outros países farão. Então como você acha que será o futuro então? o que as pessoas vão fazer?
Também recentemente Elon musk, o CEO da SpaceX anunciou recentemente que tem o objetivo de colocar um milhão de pessoas habitando no espaço. Essa é outra questão curiosa. Nós como espécie ocupamos uma parte pequena do nosso planeta, porque as maiores partes que são as profundezas do oceano, a atmosfera e o subterrâneo não temos ainda tecnologias suficientes para ocupar.
Também em dezembro de 2017 o russo Valery Spiridonov se submeterá à primeira operação de transplante de cabeça performada pelo Dr. Sergio Canavero. Com isso ele pretende curar a condição de degeneração muscular do russo com ele recebendo um novo corpo. O Dr. Canavero já lesionou espinhas de ratos e com sucesso transplantou cabeças desses ratos para outros e conseguiram voltar a andar.
E antes disso tudo já temos o caso bem sucedido de clonagem da ovelha Dolly.
Com todas essas idéias e experiências em curso fica fácil imaginar que eventualmente, num espaço de 50 anos mais ou menos, algumas delas darão certo. E se você tem uma cabeça aberta, também fica fácil imaginar como pode ser o mundo combinando algumas delas.
Quando eu comecei a escrever esse livro eu queria ter só ideias originais e palpáveis. e fiquei surpreso em descobrir todas essas pesquisas em andamento que realmente tornam possíveis essas idéias e questionamentos.
Além delas eu também pensei numa série de descrições de novas tecnologias que acabei tendo que cortar pelo tamanho do livro. Mas agora pretendo usar o espaço do blog para contar mais pra frente outras idéias.
Então para encerrar esse post eu gostaria de propor uma pesquisa no google da sua ideia mais improvável e postar de uma breve pesquisa o quanto você acha que estamos perto.

Abraços.

sábado, 1 de outubro de 2016

Sobre alguns personagens

Ola novamente,

Eu já falei um pouco de Bastian, mas acho interessante contar mais um pouco sobre ele e outros. Bastian é o personagem mais perverso do livro. Também é frustrado porque teve todos os seus méritos reconhecidos, mas alem de ser geneticamente inferior ao seu amigo, o governo teria trabalhado para isola-lo. Ele teria sido um dos grandes componentes da Renovação a qual Kréshn teria tomado seus louros e assumido o controle político da Terra através da gestão dessa inovação.

Falando de Kréshn, inicialmente ela era um personagem homem chamado Kreman. Eu admito que a única mulher realmente pré-programada para estar no livro foi Christine. Mas no meio de uma das revisões vi um TED talk em que o palestrante falava de uma lei para saber se sua história empodera as mulheres, assim por dizer. Seriam:

-Há outra mulher alem da mocinha na história?
-Se há, elas falam entre si?
-Se sim, é sobre o herói masculino?

Meu livro não atendia a nenhum desses critérios.

E eu achei um absurdo da minha parte porque inclusive são regras bem claras e simples de se seguir. Eu pensei então eu criar alguns romances lésbicos ou outras linhas atuação para Christine. Mas o livro não teria nada haver com isso e eu já estava tentando cortar histórias.

O que fiz foi mudar dois personagens masculinos para femininos. Kreman viraria Kréshn e Florian Bismark se tornaria Floriane Bismark.

Kréshn foi interessante. Minha revisora gostou tanto que chamou ela de "a mãe dos homens". Acho que realmente ficou bom. De um "homem branco político típico" se tornou uma mulher obstinada que supera suas fragilidades com garra, e um certo tom de insegurança.

Bismark foi o mais difícil. Eu queria um guerreiro. alguém letal. E realmente não acho que em termos de duelos físicos que muitas mulheres podem ser páreas para homens lutadores. Claro, ginastas, lutadoras de UFC entre outros poderiam sim e também numa realidade de ultra tecnologia não seria problema. Mas a personalidade de uma guerreira acabou encaixando muito bem em termos de ataques espaciais.

Por último Christine. Se você não me achava machista antes, provavelmente vai achar agora. Christine é o nome de uma atriz porno que achei bonita. Mas a figura que mais me inspirou a imaginá-la foi a a personagem do filme 1984 Júlia, representada pela atriz Suzana Hamilton. na face elas não se parecem na minha mente, a face seria mais como a Dorothy do mágico de Oz interpretada por Judy Garland. Mas a postura de Júlia seria a mesma de Christine.

Em termos de personalidade essa foi uma personagem que sofreu muitas alterações. Eu imaginava que para alguém que já vivia com alguém a décadas, apesar da aparência jovem, teria uma personalidade de idosa chata, mas que a renovação lhe daria energia que a faria evoluir de birrenta para feroz. E essa ferocidade confundia o leitor no sentido de que como ela amava Adam se estava sempre brigando? Uma das cenas dela que eu mais gostava e cortei foi quando ela quebrou um cálice de champanhe na cara de Adam. 

Então ela acabou se tornando determinada, forte, comandante e decepcionada. (SPOILER) Adam sempre escolhe a sua missão ao invés dela, sendo que ela faz o oposto, manipula suas missões para seus interesses. Por mais que isso pode passar uma submissão, essa característica leva a um dos cernes do livro, em que o condicionamento que as pessoas sofrem poderia ser quebrado, se percebessem um propósito melhor ou maior.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Estrutura do livro

No início eu pensei em fazer o livro em três partes: futuro, presente e uma parte meio surreal que remeteria à teoria de Gaia, a qual o planeta Terra em si seria em seu todo um organismo vivo, mas no caso seria a perspectiva do Universo.
Essa última parte eu nunca escrevi ficando apenas uma reminiscência da ideia no penúltimo capítulo.

Então mudei para quatro partes mais óbvias e mais dentro da necessidade da escrita: início, presente, passado e o final.

Um dos grandes desafios foi criar esse estilo alternado de presente e passado. Note que na primeira versão era futuro e presente, o que depois tive que mudar. Isso se deveu por no início eu querer que o futuro parecesse um sonho, talvez uma realidade alternativa que se desenrolava enquanto Adam entrava em contato com novas civilizações, quase como um reflexo de sua trajetória.
Mas, apesar das boas intenções, a narrativa estava toda em terceira pessoa do presente, o que confundia demais a alteração de textos. Uma das sugestões foi mudar o estilo "vai e volta", mas a trama precisa desse estilo, se não deixa de ser um texto só. Então para a trama se manter usei de alguns artifícios:
Tempo verbais diferentes, presente e passado. Eu queria presente e futuro, mas eu não queria queria ficar declamando profecias por metade do texto, o que acho que seria cansativo. Então usar a trajetória de Adam como o passado encaixou melhor.
Outro artifício foram narradores diferentes, um em primeira e outro em terceira. Isso eu não havia pensado antes e foi uma solução muito empolgante (SPOILER) usar Bastian como um dos narradores, investigando os arquivos do que teria ocorrido com Adam. E de uma forma resgata um pouco da trama com programações que Adam passaria com o Robô com o uso de "reports" das atividades humanas.
Contagem: contar os anos para frente na trajetória na trama do passado e a contagem regressiva no futuro também ajudou a organizar as atividades.

O início foi daqueles momentos em que você se enrola para causar um motivo. Eu criei tramas e sub-tramas até resolver ser honesto comigo (SPOILER): Adam obedece o controle, Bastian anuncia sua morte e some. Adam sairia da Terra por ordem do controle de qualquer jeito e a morte de Bastian confundiria a cabeça dele e de qualquer um de qualquer jeito. Então os quatro capítulos do início ficaram com um tom de despedida. E como o primeiro capítulo sempre se chamou "Bastian" resolvi mudar os demais para ter o foco nas despedidas das pessoas íntimas de Adam, até porque gostei demais de descrever Christine. Ela merecia destaque.

E o fim? O fim foi o que menos sofreu alterações em termos de trama, só em termos de "Inutilia Truncat". Tive dois feedbacks de leitores que o fim ficou muito melhor que o começo... Acho que isso é bom.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A cena que eu mais gostei.

Essa deve ser uma postagem longa, pois quero comparar a cena que mais gostei com como ela foi primeiro escrita para como no final ela ficou.

Também acho desnecessário dizer, mas contém SPOILERS.

Uma das minhas propostas era que circuitos e motores "pintassem" os cenários em que Adam andasse transformando tudo num ambiente tecnológico com cabos e etc. Mas o problema foi escrever tudo isso sem que o leitor, em primeiro lugar, confundisse o que estava lendo com um detalhe importante para a trama e, segundo, não se cansar.
Bom, então para "pintar" a nave com tecnologia a cena que mais gostei de escrever foi o desmantelamento do robô. quis muito expor suas entranhas de metal para criar até um ambiente "cyber punk" e delinear uma vida num tipo de ferro velho.

Então vou colocar como começava a PRIMEIRA versão aqui:

"- O sistema da nave não ativa a ejeção sem que aja uma falha que permita o comando.
 - Eu posso fazer isso. Feche as portas dos módulos.
Adam abre um painel no centro da sala onde tem acesso aos cabos da nave. Adam separa alguns de controle de informações de sobrevivência. Pede ajuda de Heitor e os corta com a pistola. Isso gera um uma pane no sistema de incêndio da nave, que fragiliza o sistema e a nave pode receber autorização de fuga.
- Dê a ordem. – Adam.
- Liberar módulos de fuga. – Heitor.
- Acompanhe as liberações e a qualquer sinal de pane me chame.
A sala é isolada para a manutenção de ar interno da nave. Logo depois o ar da ante câmara que é criada para a liberação de módulos tem seu oxigênio sugado. Depois os módulos são expelidos. Um a um, dezenas de módulos são liberados ao silencioso espaço até não restar nenhum tripulado. Apenas cinco shuttles, naves de curto alcance, restam. Quando o último é liberado Adam crava nas costas de Heitor o cabo de alta tensão que cortou. Entre raios vermelhos Heitor cai no chão e Adam o carrega o homem de lata para outra sala."

Já é possível perceber a diferença se comparar com a versão ATUAL colocando lado ao lado como ficaram:

"-Para dispararem as naves é necessário que o sistema entre em pane. - Falava Heitor
-Eu sei disto.  Exponha o cabo de energia principal. - O robô retirava uma placa do chão e de lá retirava uma grande porção do cabo axial. Adam partiu o cabo com sua arma. Logo as naves começaram a ser desacopladas e liberadas para o espaço. Sorrateiramente Adam pegava o cabo e cravava nas costas do androide. A descarga eletrocuta o robô mordomo."
Mas a grande disparidade está no meio e no final. O meio é praticamente todo um capítulo que suprimi. Não conseguirei colocar tudo, mas posso dar uma noção com algumas partes. A versão ATUAL segue apenas assim:
"- Me entregue os controles da nave - Falava Adam para a face do robô que agora estava desmontado na mesa da sala de controle. Adam usava outros robôs para preparar a nave para suas alterações e corromper os sistemas. Cabos e mais cabos ligavam no torso de Heitor. Sua cabeça era a melhor interface."
 Já o meio desta cena na PRIMEIRA versão foi o que me deu mais alimento para a criatividade e realmente me dediquei ao sistema do robô:
"Heitor mapeia todo o incidente, apesar de instantâneo, em sua memória. Sabe dizer exatamente onde a eletricidade percorreu, o que entrou em curto, o que o levou ao desligamento, todas as partes danificadas. Por fim é gravada toda a atividade, percepção e diretrizes que havia em seus processadores até o momento em que foi desligado. Mas no ponto exato entre suas atividades e seu desligamento não há diferenciação ou memória. Não há experiência registrada. Há apenas a inferência de que naquele ponto do tempo foi desligado. E a confusão sobre aquele ponto que não pode ser tratado se dá no momento em que se percebe religado com uma vista a mais ou menos há um metro de altura, imóvel.
Inicialmente ele acha que os danos podem ter prejudicado a sua parte motora. Mas logo invade sua percepção um mar de cabos espalhados pela sala de controle que se ligam a uma parte abaixo de seu queixo que não pode visualizar e à sua cabeça, seu centro de percepções, imitado dos humanos. À sua frente o encontra Adam com seu rosto a menos de um metro com as mãos em suas têmporas simuladas, o ajustando para algo que é iminente revelar.
- Se um humano for matar outro humano, você deve intervir de forma a impedir um crime? - Adam
- Não estou entendendo – Heitor. – Você pretende matar alguém?
- Não desvie da pergunta, não tente arranjar soluções paliativas ou ganhar tempo com mais perguntas. A pergunta é: Você mataria para impedir um crime? Se o crime fosse inclusive diminuir o número de humanos a mais que a parte criminosa? Se eu for matar todas as pessoas que estão nos módulos e tudo o que você puder fazer para impedir for me matar, você mataria? – Ao longo da pergunta e ao seu fim Adam olha essa parte baixa que Heitor não pode ver.
- Um robô nunca pode tirar vida...
- Não preciso do final da resposta. Obrigado. – Adam pega umas peças do chão. – Eu prefiro te tratar como uma pessoa, apesar de parecer estranho eu agradecer por me permitir mexer nas suas entranhas. Veja, eu precisava achar isso – Adam mostra um chip de cerca de 3,5 cm por 3,5 cm com uma circunferência protuberante." 
A cena se detalha ainda mais por muitos parágrafos. Queria que tivesse vero semelhança com alguns sistemas existentes e tivesse uma legitimidade técnica. Então ele conheceria as formas de testar o sistema e criar novas leis para o robô o obedecer mais que aos planetas e sistemas que pudesse encontrar. Não queria que um cientista da computação questionasse algo como "num sistema assim isso nunca aconteceria". Mas acho que isso evoluiu para um risco menor ao longo das revisões. Acabei por suprimir toda uma parte do livro em que as configurações da consciência do robõ eram falhas e Adam precisava reconfigurar e reconfigurar o sistema.
Para terminar a cena do robô sendo modificado por Adam o final ficou na versão ATUAL assim:
"A nave estava retorcida, mas consertada, com algumas perdas, segundo a verificação de Adam. Imagino o tempo e os problemas, a vida precária que devem ter passado para poderem continuar. Honestamente acho um milagre terem sobrevivido, talvez só por Heitor haver se reconstituído. Operava a nave nos padrões definidos em seu desmantelamento. Mas ainda não é o suficiente para o comportamento de Adam."
Ainda coloquei um novo evento, o ataque à nave de Adam. Mas é interessante ver a diferença com o final desta mesma cena na PRIMEIRA versão:
"- Não resta muito o que fazer agora, se eu não restaurar seu cérebro, não atravessarei um século a mais. - Adam fala depois de descansar de sua corrida contra o tempo sob as intensas luzes verdes da tela de comando. As naves nunca apareceram em seu radar e pode saltar e fugir. Pode passar um período superior a 50 anos hibernando. Aparentemente Adam é um programador com habilidades superiores as que acredita ter. Ou o robô o mentiu. – Agora eu só tenho que alterar se padrão de funcionamento. Quero sua ética igual a que era antes, mas vulnerável a mim. Consertarei seu ship de um modo bom para nós dois. Eliminar, ou criar outros meios de defesa contra a contaminação do sistema e criar algum alarme para suas ações. Assim posso ir te moldando e o sistema como eu quiser. O que você acha?"
Quando a necessidade me atingiu vi que estava me apegando a uma parte estética muito mais do que essencial para a trama. Enfim fiz mais um desses maléficos cortes que me doeu. Mas acabou que com 4 páginas consegui contar tudo o que precisava.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Por que ler Estrangeiros?

Bom, acho que se eu não fizer este post o propósito deste blog se perde.

Ficção científica e outros temas.O Brasil tem uma grande tradição em literatura e os livros realistas de Machado de Assis são reconhecidos mundialmente. E talvez por termos uma identidade literária muito forte, que se espraia por Graciliano Ramos, Jorge amado em temas do sertão ao nordeste, talvez por tudo isso não temos uma tendência em nos fixarmos em categorias e gêneros.
Por isso mesmo eu sempre tive uma dificuldade em satisfazer meu interesse com nossos livros. Claro que "Memórias póstumas de Brás Cubas" é daqueles clássicos que tem um pouco de tudo e sempre me intrigou, mas para quem queria se embrenhar nesses interesses e faltavam mais autores.
Eu também sempre fui um aficionado por filmes. Confesso inclusive que mais do que por livros. E os filmes de ficção científica "bons" tem uma qualidade única para evocar questionamentos. Separo em bons e... digamos, "não bons", porque ainda sou fã de Star Wars, porque os "bons" buscam uma qualidade de temas bem na fronteira entre o real e o surreal.
Quem, por exemplo, perguntar para um cientista se o teletransporte de Star Treck é possível pode ficar surpreso com a clássica resposta "mandar as partículas é fácil, recompô-las que é a parte que a gente não descobriu como fazer ainda".
Mas os "bons", mesmo, ainda usam essa qualidade não só para divulgar pesquisas, conhecimentos e tecnologias, como um catalogo glamourizado.  Mas em filmes como "2001 uma odisseia no espaço" você sai sem saber exatamente o que te aconteceu, o que aconteceu e o "e agora". Porque conseguem questionar algo próximo do nosso mundo, com conclusões e consequências que por mais estranhas que possam parecer ainda tem uma tese de ser possíveis.
Em Estrangeiros nos últimos dias de futuro busquei exatamente isso. Para mim a nossa espécie, que tem meros 70 mil anos e conhece a ciência a insignificantes 400 anos, está à beira de conhecimentos fantásticos e descobertas ainda mais fantásticas. E, claro, quando falo "à beira" me refiro a algo entre 50 a 500 anos. E se você pensar que 500 anos é ridículo para o tempo de vida da nossa espécie e ainda mais para o tempo da existência da vida no nosso planeta, alguém realmente consegue cogitar questionar se que coisas fantásticas estão para acontecer?
Então acho que é a ápoca perfeita para escrever sobre o futuro. Mas mais que isso, usar essa perspectiva para questionar nossos valores. De um ponto de vista de alguém que não foi concebido da forma que conhecemos, um homem sintético. Alguém que não tem qualquer vínculo com valores tão caros, que nos apegamos tanto e que com um passe de mágica alguém pode destruí-los com um simples "isso não era verdade".
Eu também me diverti muito pensando em técnicas e dispositivos que permitissem a vida eterna. E isso permitiu um outro questionamento implícito no livro. Mas esse eu deixo para os que se interessarem pensarem, não quero estragar a surpresa.
E imaginar diferentes configurações de sociedades foi muito bom. Solidificar pensamentos obscuros que se as pessoas pudessem ocupar um local sem julgamentos os implementariam com máxima crueldade.
Acho que nesse ponto eu peco um pouco, porque vejo a sociedade sempre como uma entidade maldosa porem necessária. Pensei em novos planetas sempre como distopias que deram certo, ou talvez até por isso mesmo e até porque se pode escolher fazer parte que deixam de ser distopias para serem utopias.
E talvez por isso o ser humano esteja condenado.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Sobre o primeiro capítulo - Bastian

Boa tarde,

Desculpem a inexperiência se eu posto "spoilers" entre outras falhas, mas aos poucos vou corrigindo como o link de venda do livro.

"- Estou velho né? - Para novamente. Bastian admira o Vencedor mais uma vez para ganhar coragem ao se voltar a Adam. - Tenho que te dizer uma coisa: eu não vou me renovar. Pretendo morrer na Terra.
A frase de Bastian é do tipo que faz com que o tempo se alongue por uns segundos até que a mente do ouvinte entenda a forma de continuar. Um tipo que as primeiras e mais óbvias formas de argumentar já foram exauridas por quem fala. Ou ao menos Adam sabe isso de seu amigo. Não é sobre o risco de falha na técnica de renovação em lhe prolongar a vida. Não, ele decidiu morrer.
- Para quem estava preocupado com a iluminação de uma vida, parece que você arranjou a solução. - Adam tenta rir melancolicamente com o seu incomum uso do humor. Bastian ri genuinamente.
- Teremos bastante tempo ainda para mais partidas repetidas. - Olha seu amigo que levanta seu o rei. - A medicina vai me manter por aqui por muito tempo ainda.
- Hehe. - Adam toca na peça, prepara o ataque, respira fundo e fala. - Não há o que eu possa dizer né?"

Bastin era o nome de dois amigos meus na Alemanha que, apesar de não ter mantido contato, ainda lembro de uma forma feliz. Ainda haviam dois Sebastians que era bem legais que eram apelidados de "Bastian". Apesar de haver outros caras muito legais "Bastian" pareceu uma grande homenagem.
Mas em tempo de personalidade em nada bate este personagem com meus amigos. Eles eram todos alegres e Alemães. Bastian do livro é uma figura desafiadora e melancólica, que transmite sua depressão. Eu cheguei a descrever sua casa e seus trabalhos e como Adam caçou cada detalhe deles para entender o destino de seu amigo. Na época parecia necessário demonstrar o quão nova era a sensação da perda e a perspectiva de alguém que não morreria frente a morte. Reincarnar o medo da morte. Mas as necessidades práticas me fizeram cortar esta parte.
Diga-se de passagem eu havia descrito também a casa de Adam, carros e outros aspectos de sua vida como seu local de trabalho, as ruas, um repórter "enxerido", o concelho do controle da Terra e todo um treinamento de Adam para introduzir o problema, exaustivamente técnico, e como lidar com as intempéries do espaço.
Mas devo ter cortado umas 30 páginas com um simples "só você pode nos ajudar". Clichés existem por um motivo.
Mas por fim este é o capítulo que é o cerne do livro, todo o debate de possibilidades é realizado ao longo do livro (Doh... talvez tenha falado demais). E ainda achei muito elegante esse personagem tão importante só aparecer nesta cena. Essa é daquelas coisas que não foram programadas, mas que quando se apresentam parecem muito boas.
Acho que os leitores que eu conquistar vou conquistar justamente nesse capítulo justamente pelo instinto de negar qualquer futuro negativo à frente. Por isso mesmo que quando percebi isso mudei o título para Bastian, e já não me lembro do outro, e o mantive curto.
E por isso mesmo pareceu uma ótima divisão da introdução nomear os próximos capítulos com os nomes dos íntimos de Adam....

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Bem vindos

Bem vindo ao blog sobre o livro Estrangeiros nos Últimos Dias de Futuro.

Ao invés de divulgar apenas algumas colagens do livro eu decidi colocar algumas passagens e comentar curiosidades mudanças, escolhas e curiosidades.

Então para começar quero contar um pouco do processo de escrita desse livro. A primeira versão tinha mais de 700 mil TACs, que são letras sinais e espaços. Todos os profissionais de revisão que eu enviei se assustaram com o tamanho do livro e a recomendação foi clara: diminuir.
Isso se deveu por eu tentar abordar assuntos técnicos que eu cria compor melhor um cenário futuro e tecnológico.
Um dos cortes foi o longo relacionamento com o robô, que eu tentava colocar as duas perspectivas, sendo que o personagem principal, Adam, muitas vezes quebrava as regras do sistema composto pela nave em que viajava, o robô, e o sistema operacional.
Dessa forma por diversas vezes as diretrizes do robô eram ativadas e Adam precisava sobreviver ao mesmo. Então eu criaria uma relação de desconfiança em que por diversas vezes o robô estaria prestes a atacar quando Adam procedia naturalmente e por outro lado uma paranoia em Adam que estaria num estado vigiado constante sendo que por diversas vezes o robô estaria procedendo naturalmente.
Esse cortes foi o com maiores descrições técnicas e de toda uma linha que eu abordava a questão da solidão no espaço. Apesar de ter ficado melhor, dado mais fluidez e clareza ao texto, foi um corte muito caro que me levou a reestudar todo o texto.
Outra parte que houve uma mudança radical foi o relacionamento de Adam com Christine.
Eu tentei imaginar um relacionamento de séculos, com todas as liberdades, intimidades e hábitos que um relacionamento tão longo teria que ter. Isso levaria a uma certa indiferença e uma dinâmica agressiva do casal, cheia de manipulações e ataques. Por fim ficou difícil e irreal acreditar que algo assim durasse tanto tempo. Algumas das cenas mais queridas para mim foram cortadas e reeditei todo esse relacionamento, mas que por fim me permitiu entender melhor o casal e colocá-los de uma forma mais realista.
Por fim, para que eu evite de contar o final do livro (rsrs) eu encerrando com a motivação para o livro. A primeira ideia foi justamente o primeiro capítulo. Na verdade imaginava que invés de xadrez essa cena se passaria numa sauna, mas numa escolha deliberada minha, quis colocar um pouco de mim e arremeter a uma tradição que tinha com um amigo.
Depois a segunda ideia foram os questionamentos de se viver para sempre, o que me levou a ficar bem crítico ao imaginar uma tecnologia que permitiria isso. Não queria que fosse um passe de mágica, um macguffin qualquer, queria ter credibilidade nisto.
E por fim o livro foi motivado por aquele sentimento do viajante. O livro é conduzido pelo sentimento de ser um viajante, explorar e temer o desconhecido, o novo, mas principalmente a vontade de explorar e temer seus próprios limites. Quem já desembarcou numa cidade que ninguém falava qualquer língua que que você falasse, e perambulou sem saber o que comer,onde dormir, sem uma pessoa desconhecida e deixou ser tomado pela alegria e excitação do momento, muito mais do que se deixar encolher pelo medo sabe qual é esse sentimento.

Como um post inicial acho que já cansei demais os leitores, mas só porque lembrar desse processo me da muito prazer. Obrigado e espero que apreciem o livro.