quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Estrutura do livro

No início eu pensei em fazer o livro em três partes: futuro, presente e uma parte meio surreal que remeteria à teoria de Gaia, a qual o planeta Terra em si seria em seu todo um organismo vivo, mas no caso seria a perspectiva do Universo.
Essa última parte eu nunca escrevi ficando apenas uma reminiscência da ideia no penúltimo capítulo.

Então mudei para quatro partes mais óbvias e mais dentro da necessidade da escrita: início, presente, passado e o final.

Um dos grandes desafios foi criar esse estilo alternado de presente e passado. Note que na primeira versão era futuro e presente, o que depois tive que mudar. Isso se deveu por no início eu querer que o futuro parecesse um sonho, talvez uma realidade alternativa que se desenrolava enquanto Adam entrava em contato com novas civilizações, quase como um reflexo de sua trajetória.
Mas, apesar das boas intenções, a narrativa estava toda em terceira pessoa do presente, o que confundia demais a alteração de textos. Uma das sugestões foi mudar o estilo "vai e volta", mas a trama precisa desse estilo, se não deixa de ser um texto só. Então para a trama se manter usei de alguns artifícios:
Tempo verbais diferentes, presente e passado. Eu queria presente e futuro, mas eu não queria queria ficar declamando profecias por metade do texto, o que acho que seria cansativo. Então usar a trajetória de Adam como o passado encaixou melhor.
Outro artifício foram narradores diferentes, um em primeira e outro em terceira. Isso eu não havia pensado antes e foi uma solução muito empolgante (SPOILER) usar Bastian como um dos narradores, investigando os arquivos do que teria ocorrido com Adam. E de uma forma resgata um pouco da trama com programações que Adam passaria com o Robô com o uso de "reports" das atividades humanas.
Contagem: contar os anos para frente na trajetória na trama do passado e a contagem regressiva no futuro também ajudou a organizar as atividades.

O início foi daqueles momentos em que você se enrola para causar um motivo. Eu criei tramas e sub-tramas até resolver ser honesto comigo (SPOILER): Adam obedece o controle, Bastian anuncia sua morte e some. Adam sairia da Terra por ordem do controle de qualquer jeito e a morte de Bastian confundiria a cabeça dele e de qualquer um de qualquer jeito. Então os quatro capítulos do início ficaram com um tom de despedida. E como o primeiro capítulo sempre se chamou "Bastian" resolvi mudar os demais para ter o foco nas despedidas das pessoas íntimas de Adam, até porque gostei demais de descrever Christine. Ela merecia destaque.

E o fim? O fim foi o que menos sofreu alterações em termos de trama, só em termos de "Inutilia Truncat". Tive dois feedbacks de leitores que o fim ficou muito melhor que o começo... Acho que isso é bom.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A cena que eu mais gostei.

Essa deve ser uma postagem longa, pois quero comparar a cena que mais gostei com como ela foi primeiro escrita para como no final ela ficou.

Também acho desnecessário dizer, mas contém SPOILERS.

Uma das minhas propostas era que circuitos e motores "pintassem" os cenários em que Adam andasse transformando tudo num ambiente tecnológico com cabos e etc. Mas o problema foi escrever tudo isso sem que o leitor, em primeiro lugar, confundisse o que estava lendo com um detalhe importante para a trama e, segundo, não se cansar.
Bom, então para "pintar" a nave com tecnologia a cena que mais gostei de escrever foi o desmantelamento do robô. quis muito expor suas entranhas de metal para criar até um ambiente "cyber punk" e delinear uma vida num tipo de ferro velho.

Então vou colocar como começava a PRIMEIRA versão aqui:

"- O sistema da nave não ativa a ejeção sem que aja uma falha que permita o comando.
 - Eu posso fazer isso. Feche as portas dos módulos.
Adam abre um painel no centro da sala onde tem acesso aos cabos da nave. Adam separa alguns de controle de informações de sobrevivência. Pede ajuda de Heitor e os corta com a pistola. Isso gera um uma pane no sistema de incêndio da nave, que fragiliza o sistema e a nave pode receber autorização de fuga.
- Dê a ordem. – Adam.
- Liberar módulos de fuga. – Heitor.
- Acompanhe as liberações e a qualquer sinal de pane me chame.
A sala é isolada para a manutenção de ar interno da nave. Logo depois o ar da ante câmara que é criada para a liberação de módulos tem seu oxigênio sugado. Depois os módulos são expelidos. Um a um, dezenas de módulos são liberados ao silencioso espaço até não restar nenhum tripulado. Apenas cinco shuttles, naves de curto alcance, restam. Quando o último é liberado Adam crava nas costas de Heitor o cabo de alta tensão que cortou. Entre raios vermelhos Heitor cai no chão e Adam o carrega o homem de lata para outra sala."

Já é possível perceber a diferença se comparar com a versão ATUAL colocando lado ao lado como ficaram:

"-Para dispararem as naves é necessário que o sistema entre em pane. - Falava Heitor
-Eu sei disto.  Exponha o cabo de energia principal. - O robô retirava uma placa do chão e de lá retirava uma grande porção do cabo axial. Adam partiu o cabo com sua arma. Logo as naves começaram a ser desacopladas e liberadas para o espaço. Sorrateiramente Adam pegava o cabo e cravava nas costas do androide. A descarga eletrocuta o robô mordomo."
Mas a grande disparidade está no meio e no final. O meio é praticamente todo um capítulo que suprimi. Não conseguirei colocar tudo, mas posso dar uma noção com algumas partes. A versão ATUAL segue apenas assim:
"- Me entregue os controles da nave - Falava Adam para a face do robô que agora estava desmontado na mesa da sala de controle. Adam usava outros robôs para preparar a nave para suas alterações e corromper os sistemas. Cabos e mais cabos ligavam no torso de Heitor. Sua cabeça era a melhor interface."
 Já o meio desta cena na PRIMEIRA versão foi o que me deu mais alimento para a criatividade e realmente me dediquei ao sistema do robô:
"Heitor mapeia todo o incidente, apesar de instantâneo, em sua memória. Sabe dizer exatamente onde a eletricidade percorreu, o que entrou em curto, o que o levou ao desligamento, todas as partes danificadas. Por fim é gravada toda a atividade, percepção e diretrizes que havia em seus processadores até o momento em que foi desligado. Mas no ponto exato entre suas atividades e seu desligamento não há diferenciação ou memória. Não há experiência registrada. Há apenas a inferência de que naquele ponto do tempo foi desligado. E a confusão sobre aquele ponto que não pode ser tratado se dá no momento em que se percebe religado com uma vista a mais ou menos há um metro de altura, imóvel.
Inicialmente ele acha que os danos podem ter prejudicado a sua parte motora. Mas logo invade sua percepção um mar de cabos espalhados pela sala de controle que se ligam a uma parte abaixo de seu queixo que não pode visualizar e à sua cabeça, seu centro de percepções, imitado dos humanos. À sua frente o encontra Adam com seu rosto a menos de um metro com as mãos em suas têmporas simuladas, o ajustando para algo que é iminente revelar.
- Se um humano for matar outro humano, você deve intervir de forma a impedir um crime? - Adam
- Não estou entendendo – Heitor. – Você pretende matar alguém?
- Não desvie da pergunta, não tente arranjar soluções paliativas ou ganhar tempo com mais perguntas. A pergunta é: Você mataria para impedir um crime? Se o crime fosse inclusive diminuir o número de humanos a mais que a parte criminosa? Se eu for matar todas as pessoas que estão nos módulos e tudo o que você puder fazer para impedir for me matar, você mataria? – Ao longo da pergunta e ao seu fim Adam olha essa parte baixa que Heitor não pode ver.
- Um robô nunca pode tirar vida...
- Não preciso do final da resposta. Obrigado. – Adam pega umas peças do chão. – Eu prefiro te tratar como uma pessoa, apesar de parecer estranho eu agradecer por me permitir mexer nas suas entranhas. Veja, eu precisava achar isso – Adam mostra um chip de cerca de 3,5 cm por 3,5 cm com uma circunferência protuberante." 
A cena se detalha ainda mais por muitos parágrafos. Queria que tivesse vero semelhança com alguns sistemas existentes e tivesse uma legitimidade técnica. Então ele conheceria as formas de testar o sistema e criar novas leis para o robô o obedecer mais que aos planetas e sistemas que pudesse encontrar. Não queria que um cientista da computação questionasse algo como "num sistema assim isso nunca aconteceria". Mas acho que isso evoluiu para um risco menor ao longo das revisões. Acabei por suprimir toda uma parte do livro em que as configurações da consciência do robõ eram falhas e Adam precisava reconfigurar e reconfigurar o sistema.
Para terminar a cena do robô sendo modificado por Adam o final ficou na versão ATUAL assim:
"A nave estava retorcida, mas consertada, com algumas perdas, segundo a verificação de Adam. Imagino o tempo e os problemas, a vida precária que devem ter passado para poderem continuar. Honestamente acho um milagre terem sobrevivido, talvez só por Heitor haver se reconstituído. Operava a nave nos padrões definidos em seu desmantelamento. Mas ainda não é o suficiente para o comportamento de Adam."
Ainda coloquei um novo evento, o ataque à nave de Adam. Mas é interessante ver a diferença com o final desta mesma cena na PRIMEIRA versão:
"- Não resta muito o que fazer agora, se eu não restaurar seu cérebro, não atravessarei um século a mais. - Adam fala depois de descansar de sua corrida contra o tempo sob as intensas luzes verdes da tela de comando. As naves nunca apareceram em seu radar e pode saltar e fugir. Pode passar um período superior a 50 anos hibernando. Aparentemente Adam é um programador com habilidades superiores as que acredita ter. Ou o robô o mentiu. – Agora eu só tenho que alterar se padrão de funcionamento. Quero sua ética igual a que era antes, mas vulnerável a mim. Consertarei seu ship de um modo bom para nós dois. Eliminar, ou criar outros meios de defesa contra a contaminação do sistema e criar algum alarme para suas ações. Assim posso ir te moldando e o sistema como eu quiser. O que você acha?"
Quando a necessidade me atingiu vi que estava me apegando a uma parte estética muito mais do que essencial para a trama. Enfim fiz mais um desses maléficos cortes que me doeu. Mas acabou que com 4 páginas consegui contar tudo o que precisava.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Por que ler Estrangeiros?

Bom, acho que se eu não fizer este post o propósito deste blog se perde.

Ficção científica e outros temas.O Brasil tem uma grande tradição em literatura e os livros realistas de Machado de Assis são reconhecidos mundialmente. E talvez por termos uma identidade literária muito forte, que se espraia por Graciliano Ramos, Jorge amado em temas do sertão ao nordeste, talvez por tudo isso não temos uma tendência em nos fixarmos em categorias e gêneros.
Por isso mesmo eu sempre tive uma dificuldade em satisfazer meu interesse com nossos livros. Claro que "Memórias póstumas de Brás Cubas" é daqueles clássicos que tem um pouco de tudo e sempre me intrigou, mas para quem queria se embrenhar nesses interesses e faltavam mais autores.
Eu também sempre fui um aficionado por filmes. Confesso inclusive que mais do que por livros. E os filmes de ficção científica "bons" tem uma qualidade única para evocar questionamentos. Separo em bons e... digamos, "não bons", porque ainda sou fã de Star Wars, porque os "bons" buscam uma qualidade de temas bem na fronteira entre o real e o surreal.
Quem, por exemplo, perguntar para um cientista se o teletransporte de Star Treck é possível pode ficar surpreso com a clássica resposta "mandar as partículas é fácil, recompô-las que é a parte que a gente não descobriu como fazer ainda".
Mas os "bons", mesmo, ainda usam essa qualidade não só para divulgar pesquisas, conhecimentos e tecnologias, como um catalogo glamourizado.  Mas em filmes como "2001 uma odisseia no espaço" você sai sem saber exatamente o que te aconteceu, o que aconteceu e o "e agora". Porque conseguem questionar algo próximo do nosso mundo, com conclusões e consequências que por mais estranhas que possam parecer ainda tem uma tese de ser possíveis.
Em Estrangeiros nos últimos dias de futuro busquei exatamente isso. Para mim a nossa espécie, que tem meros 70 mil anos e conhece a ciência a insignificantes 400 anos, está à beira de conhecimentos fantásticos e descobertas ainda mais fantásticas. E, claro, quando falo "à beira" me refiro a algo entre 50 a 500 anos. E se você pensar que 500 anos é ridículo para o tempo de vida da nossa espécie e ainda mais para o tempo da existência da vida no nosso planeta, alguém realmente consegue cogitar questionar se que coisas fantásticas estão para acontecer?
Então acho que é a ápoca perfeita para escrever sobre o futuro. Mas mais que isso, usar essa perspectiva para questionar nossos valores. De um ponto de vista de alguém que não foi concebido da forma que conhecemos, um homem sintético. Alguém que não tem qualquer vínculo com valores tão caros, que nos apegamos tanto e que com um passe de mágica alguém pode destruí-los com um simples "isso não era verdade".
Eu também me diverti muito pensando em técnicas e dispositivos que permitissem a vida eterna. E isso permitiu um outro questionamento implícito no livro. Mas esse eu deixo para os que se interessarem pensarem, não quero estragar a surpresa.
E imaginar diferentes configurações de sociedades foi muito bom. Solidificar pensamentos obscuros que se as pessoas pudessem ocupar um local sem julgamentos os implementariam com máxima crueldade.
Acho que nesse ponto eu peco um pouco, porque vejo a sociedade sempre como uma entidade maldosa porem necessária. Pensei em novos planetas sempre como distopias que deram certo, ou talvez até por isso mesmo e até porque se pode escolher fazer parte que deixam de ser distopias para serem utopias.
E talvez por isso o ser humano esteja condenado.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Sobre o primeiro capítulo - Bastian

Boa tarde,

Desculpem a inexperiência se eu posto "spoilers" entre outras falhas, mas aos poucos vou corrigindo como o link de venda do livro.

"- Estou velho né? - Para novamente. Bastian admira o Vencedor mais uma vez para ganhar coragem ao se voltar a Adam. - Tenho que te dizer uma coisa: eu não vou me renovar. Pretendo morrer na Terra.
A frase de Bastian é do tipo que faz com que o tempo se alongue por uns segundos até que a mente do ouvinte entenda a forma de continuar. Um tipo que as primeiras e mais óbvias formas de argumentar já foram exauridas por quem fala. Ou ao menos Adam sabe isso de seu amigo. Não é sobre o risco de falha na técnica de renovação em lhe prolongar a vida. Não, ele decidiu morrer.
- Para quem estava preocupado com a iluminação de uma vida, parece que você arranjou a solução. - Adam tenta rir melancolicamente com o seu incomum uso do humor. Bastian ri genuinamente.
- Teremos bastante tempo ainda para mais partidas repetidas. - Olha seu amigo que levanta seu o rei. - A medicina vai me manter por aqui por muito tempo ainda.
- Hehe. - Adam toca na peça, prepara o ataque, respira fundo e fala. - Não há o que eu possa dizer né?"

Bastin era o nome de dois amigos meus na Alemanha que, apesar de não ter mantido contato, ainda lembro de uma forma feliz. Ainda haviam dois Sebastians que era bem legais que eram apelidados de "Bastian". Apesar de haver outros caras muito legais "Bastian" pareceu uma grande homenagem.
Mas em tempo de personalidade em nada bate este personagem com meus amigos. Eles eram todos alegres e Alemães. Bastian do livro é uma figura desafiadora e melancólica, que transmite sua depressão. Eu cheguei a descrever sua casa e seus trabalhos e como Adam caçou cada detalhe deles para entender o destino de seu amigo. Na época parecia necessário demonstrar o quão nova era a sensação da perda e a perspectiva de alguém que não morreria frente a morte. Reincarnar o medo da morte. Mas as necessidades práticas me fizeram cortar esta parte.
Diga-se de passagem eu havia descrito também a casa de Adam, carros e outros aspectos de sua vida como seu local de trabalho, as ruas, um repórter "enxerido", o concelho do controle da Terra e todo um treinamento de Adam para introduzir o problema, exaustivamente técnico, e como lidar com as intempéries do espaço.
Mas devo ter cortado umas 30 páginas com um simples "só você pode nos ajudar". Clichés existem por um motivo.
Mas por fim este é o capítulo que é o cerne do livro, todo o debate de possibilidades é realizado ao longo do livro (Doh... talvez tenha falado demais). E ainda achei muito elegante esse personagem tão importante só aparecer nesta cena. Essa é daquelas coisas que não foram programadas, mas que quando se apresentam parecem muito boas.
Acho que os leitores que eu conquistar vou conquistar justamente nesse capítulo justamente pelo instinto de negar qualquer futuro negativo à frente. Por isso mesmo que quando percebi isso mudei o título para Bastian, e já não me lembro do outro, e o mantive curto.
E por isso mesmo pareceu uma ótima divisão da introdução nomear os próximos capítulos com os nomes dos íntimos de Adam....

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Bem vindos

Bem vindo ao blog sobre o livro Estrangeiros nos Últimos Dias de Futuro.

Ao invés de divulgar apenas algumas colagens do livro eu decidi colocar algumas passagens e comentar curiosidades mudanças, escolhas e curiosidades.

Então para começar quero contar um pouco do processo de escrita desse livro. A primeira versão tinha mais de 700 mil TACs, que são letras sinais e espaços. Todos os profissionais de revisão que eu enviei se assustaram com o tamanho do livro e a recomendação foi clara: diminuir.
Isso se deveu por eu tentar abordar assuntos técnicos que eu cria compor melhor um cenário futuro e tecnológico.
Um dos cortes foi o longo relacionamento com o robô, que eu tentava colocar as duas perspectivas, sendo que o personagem principal, Adam, muitas vezes quebrava as regras do sistema composto pela nave em que viajava, o robô, e o sistema operacional.
Dessa forma por diversas vezes as diretrizes do robô eram ativadas e Adam precisava sobreviver ao mesmo. Então eu criaria uma relação de desconfiança em que por diversas vezes o robô estaria prestes a atacar quando Adam procedia naturalmente e por outro lado uma paranoia em Adam que estaria num estado vigiado constante sendo que por diversas vezes o robô estaria procedendo naturalmente.
Esse cortes foi o com maiores descrições técnicas e de toda uma linha que eu abordava a questão da solidão no espaço. Apesar de ter ficado melhor, dado mais fluidez e clareza ao texto, foi um corte muito caro que me levou a reestudar todo o texto.
Outra parte que houve uma mudança radical foi o relacionamento de Adam com Christine.
Eu tentei imaginar um relacionamento de séculos, com todas as liberdades, intimidades e hábitos que um relacionamento tão longo teria que ter. Isso levaria a uma certa indiferença e uma dinâmica agressiva do casal, cheia de manipulações e ataques. Por fim ficou difícil e irreal acreditar que algo assim durasse tanto tempo. Algumas das cenas mais queridas para mim foram cortadas e reeditei todo esse relacionamento, mas que por fim me permitiu entender melhor o casal e colocá-los de uma forma mais realista.
Por fim, para que eu evite de contar o final do livro (rsrs) eu encerrando com a motivação para o livro. A primeira ideia foi justamente o primeiro capítulo. Na verdade imaginava que invés de xadrez essa cena se passaria numa sauna, mas numa escolha deliberada minha, quis colocar um pouco de mim e arremeter a uma tradição que tinha com um amigo.
Depois a segunda ideia foram os questionamentos de se viver para sempre, o que me levou a ficar bem crítico ao imaginar uma tecnologia que permitiria isso. Não queria que fosse um passe de mágica, um macguffin qualquer, queria ter credibilidade nisto.
E por fim o livro foi motivado por aquele sentimento do viajante. O livro é conduzido pelo sentimento de ser um viajante, explorar e temer o desconhecido, o novo, mas principalmente a vontade de explorar e temer seus próprios limites. Quem já desembarcou numa cidade que ninguém falava qualquer língua que que você falasse, e perambulou sem saber o que comer,onde dormir, sem uma pessoa desconhecida e deixou ser tomado pela alegria e excitação do momento, muito mais do que se deixar encolher pelo medo sabe qual é esse sentimento.

Como um post inicial acho que já cansei demais os leitores, mas só porque lembrar desse processo me da muito prazer. Obrigado e espero que apreciem o livro.