segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Solum

Boa noite,


O nome deste capítulo inicialmente seria apenas "SÓ". Mas ficaria confuso e só em latim pareceu melhor.
Eu flertei por muito tempo colocar em Solum a origem da Mancha negra. Mas a ideia da mancha negra (SPOILER) é não ter explicação. É intuitivo que há uma perda, mas a questão deveria ser quem está perdendo. Que no caso sendo o controle.
Esse momento eu acabei adiando. Solum cumpre então a função de pré-clímax e de destruição da imagem de Kréshn. É quando ele se livra das correntes do controle, de um propósito embebido nele até em seus genes. E é quando o propósito assume uma nova imagem, de morte em vida.
Também esse capítulo termina o ponto da identidade de Adam. Esse acabou sendo o maior corte que fiz neste capítulo. Adam estaria recuperado da investida de Bastian e também livre da influencia do seu melhor amigo. O que restaria cumprir seu papel de encontrar o sinal.
A liberdade assume um papel importante na vida de Adam e pela primeira vez. Esse seria o significado da sepultura de Shura, Mas no final acchei que na prática ele voltar só para sepultar seria... pouco prático. Apesar de simbólico, isso nunca aconteceria.
Uma faceta importante da libertação foi a loucura. No final deste capítulo ele já demonstra uma depressão pela liberdade. Mas quando confrontado com suas certezas, a loucura se torna a opção. Adam quer recorrer ao seu amigo várias vezes, como uma forma de concordar e transferir tudo o que Shura destrói nele sobre Kréshn para Bastian, mesmo sabendo que ele o traiu.
Esse tópico de loucura, assim como escape dele, construído dia após dia, sendo pego algumas vezes e tendo que refazer seus planos desde o começo foi detalhado diversas vezes. E eu tive que cortar por ficar muito longo e no final os elementos necessários foram colocados: a mente fragmentada e reestruturando de Adam e a liberdade frente a qualquer amarra que ele tivesse.
Quem sai dese planeta é só Adam. Sem influencia de Kréshn, Bastian, Christine ou a dúvida em relação a Heitor.
Heitor teria um papel maior e ele estaria parcialmente desconfigurado, mas a ameaça de Shura foi mais curto e fez mais sentido.
Também era importante mostrar como seria a colonização de um planeta, com a alteração da atmosfera, flora e fauna.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Olimpo

Boa tarde,

O capítulo do Olimpo é facilmente associável filme Matrix e isso não é por acaso. À parte de  as máquinas enganarem os seres humanos para transformá-los em bateria, acho muito possível essa realidade.
Vejam as tecnologias que existem hoje. Por um lado existem os jogos de RPG estilo War craft que se pode "caminhar" por uma nova paisagem. Também existe o google street view em que se pode "caminhar" pelas ruas do mundo no ponto de vista do pedestre. Os óculos de realidade virtual estão se desenvolvendo junto com tecnologia 3D. Fones de ouvido já não são novidades.
Então das percepções faltam o paladar, o olfato e o tato para serem "enganados" pela tecnologia. e a tendencia é a união dessas tecnologias somadas às tecnologias das outras percepções se aperfeiçoe. Então, se esta tecnologia de fato acontecer e os estímulos cerebrais puderem todos advir de máquinas, que propriedades, equipamentos e demais dispositivos físicos serão necessários? Porque não morar num local distante de 2 metros quadrados?
Existem vários filmes que exploram a segunda personalidade, ou persona, ou personalidade das pessoas no mundo virtual.
Mas o valor que será perdido pelo mundo se o mundo virtual ficar mais atrativo não.
Em essência é isso que o capítulo trata. Mas é óbvio que quis detalhar as "construções do mundo virtual" também. No final o que resta é a desumanidade e a crueldade que Adam contra-ataca na mesma medida quando retorna ao mundo físico.
A crueldade também se reflete na necessidade de guerras pelos habitantes do olimpo que, quando gerenciam o mundo físico, expandem essa mesma atitude para os outros habitantes menos que humanos que se poderia inclusive levar a discussão para separação de espécies e quem de fato está por trás da imagem dos habitantes do Olimpo.
Sobre os Titãs, essa é uma alegoria para o mundo paralelo. É óbvio que Muriel e Kréshn disputam o mesmo mundo, um por cada meio, o físico e o outro o virtual. Na mitologia da titanomaquia a guerra entre Deuses e Titãs se desenvolve com um lado ganhador, Deuses, que por final castigam os Titãs em punições eternas. Adam acaba por escolher o mundo físico e o controle de Kréshn e permite a entrada dos humanos numa nova titanomaquia.
Mas existe um outro aspecto importante: o olimpo é a continuação de Alótropo, que aborda o conflito da personalidade e controle da perfeição. E neste caso o Olimpo quer dominar o corpo perfeito para usar a imagem de perfeito e controlar os demais.
A imagem se torna uma engrenagem do robô.
E está é uma afirmação forte para ser levado para os demais planetas.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Alótropo

Boa noite,

O nome e o planeta Alótropo surgiu de uma necessidade de corte, organização e metáfora.
Vamos do final para o começo:
A metáfora vem porque alótropo significa uma das arquiteturas moleculares que um mesmo composto químico pode ter. No caso co carbono (C) você pode ter as quatro ligações de diversas forma sendo que o formato triangular trás o famoso diamante. A questão é que a mesmíssima matéria, organizadas de formas diferentes pode ter propriedades completamente diferentes. a metáfora seria sobre o corpo perfeito e a mente que o habita.
Sabendo que nanomateriais, ou sejam, circuitos, robôs e construtos do tamanho de moléculas, e sabendo que a engenharia genética pode construir células e implantá-las transformando o corpo, por exemplo usar células troncos para formar muculos ou órgãos, sabendo dos dois e sabendo que já é possível clonar um ser humano, não seria possível arquitetar todo um corpo para que servisse a uma função programada? Como um robô feito de células?
Esse é o capítulo mais importante do livro, pois levanta a pergunta: Quem habita o corpo perfeito? O Indivíduo, o sistema ou um invasor?
E por mais que isso possa parecer muito distante, a metáfora esta no dia a dia. As pessoas são condicionadas por suas funções sociais, seduzidas por necessidades de outros e lutam por seus espaços para ser quem são.
Não vou me ater mais à metáfora. Mas queria lembrar que cientificamente estamos próximos de algo assim ser possível.
O aspecto organizacional se deu porque este era um capítulo muito longo que se passava apenas na nave. Havia a ideia de loucura mas nenhum lugar externo físico. mas precisei dividir esta ideia por mais capítulos. então para marcar o passado em nomes de planetas acrescentei este detalhe.
Interessante pensar que um planeta é um detalhe.
A organização já explica a necessidade de corte também. Os outros conceitos eu coloquei em episódios mais curtos e menos técnicos pelos capítulos adiante. A relação de mutação e de clonagem havia sido muito mais explorada. Assim como (SPOILER) o aparecimento de Bastian na mente de Adam.

Hoje só essa pílula, pois nos capítulos adiante retornarei a este conceito.

Abraços.

sábado, 15 de outubro de 2016

Exodus

Boa tarde,

O capítulo de Exodus é um novo da última versão. Inicialmente seria apenas na nave detalhando o relacionamento entre Adam, Bismark e o robô. A ideia a colisão de mundos, ou a colisão entre habitantes de dois mundos. Inclusive acho que esse foi o primeiro título. Um representa o Status quo e outro a mudança.  O robô está ausente. Mas como na primeira versão Adam tem uma desconfiança com o robô e não sabe se deve aciona-lo, mas o último dilema depende do robô, seria algo como a percepção humana em relação à tecnologia e ciência, quando as populações se desesperam a não confiam nos resultados.
Recentemente em conversas obtive uma opinião que corrobora esse ponto de vista: o fundamentalismo tende a surgir com o surgimento de novas tecnologias, por que a ignorância e incerteza em relação a novos conhecimentos faz as pessoas a buscarem o contraponto ao novo: Os fundamentos. Então as sociedades se polarizam em extremos até o conhecimento ficar comum.
Achei interessante.
Voltando ao que foi escrito, esse capítulo apresentava falhas diferentes. Não era tão técnico nem tão longo, mas eu precisava passar uma necessidade de atitudes sub reptícias pelas duas partes. Mas o fato é que ficou confuso e o desfecho meio desconexo, por que Adam toleraria torturas até se ver livre.
Eu acabei encurtando o capítulo por se mais direto, e o planeta Exodus, que é sim uma clara referencia bíblica,   Atende a duas necessidades: Marcar a narrativa em planetas e mostrar um pouco de como seriam essas sociedades. Mas não entrei muito adiante, pois descrever mais seria entrar numa ceara de desenvolvimento tecnológico permitido pelas religiões e como isso mudaria as sociedades dentro do permitido por cada religião. Acho inclusive que esse seria um tema interessante, só não é o que eu queria falar neste livro.
Neste ponto também fica mais claro a regressão evolutiva das sociedades. Esse foi um conceito que fez sentido ao longo do livro. Existirá o risco em novas colonizações das populações retornarem às formas de produção que conhecem dado medo e incerteza. Por exemplo na colonização das Américas, a priori só se praticava extrativismo e agricultura.Para todo o resto era uma terra sem lei que os colonizadores se apegavam à religião.
Por final a história ao longo do arquipélago precisava de um desfecho e pontos de vista diferentes dos controladores. Os religiosos estarem em paz apenas nas suas salas de comunicação "internacional", mas manipularem as religiões para inclusive vingança livra o leitor de achar que algum dos lados tem uma ética absoluta ou resposta ou bondade. (SPOILER) O fato de disfarçarem Bismark de um messias que todas as partes envolvidas sabiam ser falso permite ao leitor entender que o controle religioso ou tecnológico são apenas modos humanos, com características semelhantes e orientações diferentes. Mas em essência falhos por criar um ambiente artificialmente controlado.
Deste ponto o leitor pode abraçar as incertezas, o estranho, o estrangeiro.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Arquipélago do credo

As idéias desse capítulo vêm de que as regiões mais fundamentalistas de cada religião acabam se isolando.
Também Arthur C. Clark fala que existem mais estrelas no universo que fantasmas na Terra, então seria possível que todos fossem donos de seus próprios mundos.
Então eu imaginando que um dia encontraremos uma região no espaço cheias de planetas habitáveis, o que imaginei sendo duas galáxias se fundindo, o que levaria milhões de anos para acabar, cada planeta poderia habitar uma religião fundamental que não aceita discussões.
Obviamente eu poderia explorar mais, mas só quis colocar o conceito por necessidade de tamanho de texto. Também, explorar um mundo 100% cristão seria um tema, outro 100% Islâmico seria outro e assim por diante. Não era a proposta.
Também não queria desenvolver essas sociedades, apenas, digamos, os "departamentos internacionais", que por necessidade conversariam com outros planetas. Para resumir isso que criei a Capitã Bismark, que inicialmente nas primeiras concepções seria homem, que investigando Adam contaria essa história.
A briga com ela, a fuga de Adam, a traição para o lado dos religiosos e a fuga dessa galáxia foram amplamente detalhadas e refeitas até ficar aceitável. Mas ficaram muito técnicas. Acho que o conceito por si só está explicado e é o que é importante.
A traição para o lado religiosos em si de uma certa forma amplia a separação de Adam com o "sistema da humanidade". Também essa humanidade começa a se resumir no Controle da Terra. Mas existe um conflito que não havia pensado antes:
Tecnicamente uma Religião é um sistema de controle humano. E para se rebelar, ou se separar do sistema vigente, se apoia em outras formas de controle sejam antigos, puros ou simplesmente diferentes. O que isso representa? Agora pensando penso que o espírito foi a pluralidade. Mas pode ser um tipo de "eterno retorno" em que a necessidade por controle é inescapável e natural. Também pode ser um tipo de balanceamento com o capitulo anterior que ofereço uma crítica mais clara. Pois no fundo acho religião um parte importante da humanidade, que deve ser representada, mas que não quero que seja o cerne da minha discussão.
Uma nota importante: Quando me refiro a pureza me refiro à pureza Alemã, de Kant. Esqueça o sentido de bondade. Eu quero remeter ao cerne, Ao objeto em si sem concessões, misturas, contaminações, opções, braços, incrementos, mudanças ou transformações. Porque? Por que no fundo o livro é sobre propósitos, mas num mundo tecnológico ultra computacional não haveria o inicio de um conceito imperfeito a ser aperfeiçoado ao longo do caminho, o conceito seria perfeito a priori. e as consequências inegociáveis.
Neste capítulo a primeira parte foi inteiramente nova, quando Adam entra numa nave morta. Inicialmente eu colocaria um conflito com Heitor que deixaria uma questão se o robô estaria contra Adam ou não. Mas essa parte foi inteiramente cortada. Mas eu já havia imaginado que num mundo de pluralidades que se isolam haveria um comercio intenso. Que pensei inclusive em explorar alguns piratas espaciais. Mas fez sentido que a base de Bismark eventualmente mataria a todos. e me daria um mistério interessante mantendo o aspecto de solidão.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Alcebíades

Alcebíades é um personagem grego, criado como filho adotivo por Péricles. Este último foi o grande defensor e general tendo sido eleito líder dos atenienses por 11 vezes, só tendo perdido uma eleição, as quais eram anuais. Por suas habilidades Péricles manteve uma "paz" com Esparta na primeira fase da guerra do Peloponeso com grande vantagem para Atenas e com poucos conflitos determinantes, se não a tomada de uma pequena terra litoral Espartana na qual puderam construir uma base para o controle da situação.
Alcebíades foi criado em parte para substituí-lo e em parte para levar Atenas à gloria. Mas por nunca ter conseguido a glória que quis, Alcebíades mudou de lado inúmeras vezes. Chegou a liderar os espartanos em incursões contra Atenas e até mesmo lutou ao lado dos persas, como líder contra Atenas e aliado de Esparta.
Quando Alcebíades se sentia ameaçado fugia, por que muitas vezes sua vida foi ameaçada quando as vitórias não vieram. Por fim tentou retornar para Atenas como o grande salvador na hora mais negra. Mas as negociações não foram adiante por que o General à época não quis dividir as glorias. Várias contribuições de Alcebíades contribuíram de forma determinante para a derrocada de Atenas para que enfim perdesse a guerra do Peloponeso.
Alcebíades foi o grande Traidor de Atenas.
Essa deveria ser a grande dica para os leitores de que haveria uma mudança de curso a partir dai. Essa lua nas primeiras versões do livro não existia. A traição aconteceria na saída de Terra Nova. A lua de Alcebíades foi a primeira alteração de um padrão para facilitar a leitura. Eu quis chamar os capítulos do passado de planetas, os capítulos iniciais de personagens e os do futuro de referencias a efeitos de aproximação a um buraco negro.
Não ficou tão preciso, talvez um pouco mais poético os nomes, por que fiquei apegado em alguns momentos. Mas acho que de certa forma a divisão ficou boa para o entendimento do leitor. Apesar de que os nomes dos planetas não são familiares aos leitores.
Eu havia descrito todo um drible e um estilingue com a gravidade da lua com a de Terra Nova. mas novamente as explicações ficaram muito longas. Também o fato de que Terra Nova, ou outra base poderia ter hackeado o controle da nave e resolvido uma tomada dessas foi amplamente descrito e solucionado com uma contra ofensiva com hackings de Adam para os enganar. Mas ficou longo e aparentemente só eu achei excitante.
A unica explicação que não consegui dar foi como as dobras espaciais se abririam sem que os planetas se comunicassem e impedissem. Eu pensei numa série de sistemas automáticos e/ou autônomos que os planetas não tivessem controle, porque eles terem poderia ser trágico. Mas acho que não afetou muito a cena. Então poupei escritas a serem cortadas.
A questão é que é nesse ponto em que Adam ataca a humanidade e vive e versa. O que pelas implicações Dawinianas poderia-se dizer que da separação haveria uma mutação. Claro que nada é tão explicito no texto, mas esse é o ponto de mudança do que um humano condicionado, mesmo pelo conflito de uma ordem com "A" ordem criasse pensamento.
Pessoalmente é por isso que eu admiro a rebeldia, porque é o primeiro momento em que se questiona o que o senso comum diz funcionar perfeitamente.

Abraços.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

TERRA ZERO

Boa noite,

Esse é o primeiro planeta que Adam visita. Tecnicamente o segundo, porque pousam na lua Alcebíades. O propósito seria uma sociedade ultra capitalista. Eu flertei com a ideia de transformar a Terra num repositório técnico de humanos e esse ser o primeiro planeta com vida, com características realmente humanas entre erros e defeitos. O local mais próximo que me lembra era a cidade do filme IA-Inteligência Artificial. Mas ao longo do que fui desenvolvendo muita coisa mudou.
Tudo começou com uma igreja católica que tem perto de onde eu moro. O meu bairro tem mais igreja que fiéis. E todas elas parecem um cassino. E a ideia de uma igreja-cassino foi todo o driver para esse capítulo. Não que eu seja religioso, mas para mim parece que o grande filão dessas igrejas do meu bairro é competir entre si para ver quem ganha num campeonato de humildade. Mas de forma nenhuma quis oferecer uma crítica moral e tentar moralizar as igrejas, nem que fosse as do meu bairro, mas pelo contrário acho que esse é o futuro, a verdadeira evolução deste mercado.
Eu ia ser mais agressivo, mas amigos talvez tenham me influenciado sem que eu tenha percebido. Mas o que uma igreja tem de diferente de um cassino? A casa não sempre ganha em cima de uma ilusão? E porque oferecer uma só? No futuro a tecnologia poderá oferecer todas. Eu gostei especialmente das maquinas caça-níquéis religiosas.
A grande dificuldade era porque ele quereria quebrar tudo. (Spoiler) No fundo seria por causa da saudade de Bastian, mas não é a hora do leitor saber disso mas desconfiar, então teria que haver uma provocação. Esta provocação ficou difícil para que eu a achasse.
Por outro lado eu precisava posicionar dois eventos: O reencontro com Christine e a herança de Bastian. Então achei que os dois eventos por si só teriam a relevância para o livro. Então abandonei essa confusão, o cassino seria apenas um lugar importante da cidade que por isso teria o suporte para a herança de Bastian.
A herança de Bastian também foi descrito com exaustão. Mas obviamente cortei.
Christine manteve seu papel, de tentar desviar o caminho de Adam, mas muito menos agressivamente.
Por final eu percebi nas primeira versões eu só falei da parte alta da cidade. Bem pouco da descrições de quem trabalhava na cidade. Numa alusão acidental aos Elóis e Morloks. Então quis ir até a Muralha e mostrar que a vida de quem estava lá além de ser com propósito era feliz e produtiva, então a diferença e valor das sociedade estava mais na percepção de quem habitava aonde. O que agora percebo outra alusão acidental ao Admirável Mundo Novo.
Acho que de todos os planetas que Adam visita, Terra Zero é o que tem mais potencial para ser explorado e o único que eu pensei em mais histórias.
Por último só gostaria de dizer que o nome que uso menos e é o nome oficial do planeta, Terra Nova, foi escrito antes da série de TV de mesmo nome que alias nunca assisti. Não quero me defender ou mesmo ficar ofendido, só quero registrar esse fato.

Abraços.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Clareando as idéias principais

Boa noite,

Essa é uma postagem com SPOILERS. Vou clarear um pouco as idéias principais do livro para quem estiver interessado em ler ou está lendo mas tem alguma dúvida.


  • A renovação: Um cirurgião pega um cérebro de um corpo velho e coloca no clone mais jovem da mesma pessoa. Simples assim, o resto é pirotecnia. Eu pensei e me foi sugerido escrever só sobre isso e o porque o melhor amigo de  alguém passando por esse processo escolheria não fazê-lo. Mas sendo honesto comigo mesmo, numa realidade com essa tecnologia seria necessário habitar novos planetas. então eu gastei muito tempo pensando num propósito de se viver. Um deles seria criar algo, outro seria conhecer coisas novas. 
  • Explorar novos planetas; durante muito tempo flertei com a ideia de que realidades diferentes seriam um sonho. Como um "O magico de Oz" ou "Alice no país das maravilhas". Esses dias um amigo chamou de "Um pequeno príncipe" com "Matrix". Mas a parte de sonho, ou delírio ficou complexa e abortei.Na verdade eu não tinha sociedades diferentes em mente, mas sim lugares, talvez um pouco surreais. Mas fazia sentido ele querer ir. A surpresa foi eu me interessar tanto pela personagem Christine. Eu demorei demais para me convencer a fazê-lo deixá-la. Mas ele precisaria estar sozinho. A solidão é um aspecto fundamental da viagem. A pureza das coisas é: viver só, porque estar vivo, existir é desejável? Acho que no fim os planetas significam a busca por propósito.
  • Robôs e o condicionamento: Hoje acordamos antes das 7 para trabalhar até as 5, quando é possível, chegar as 6 em casa ficar exausto, comer, tomar banho, e ter de 3 a 4 horas para fazer algo, sendo que em geral envolve exercícios e televisão. Nós já somos condicionados. Heitor seria um comparativo, pois a palavra robô significa escravo. E por este lado as leis de Isaac Asimov fala que um robô não pode ferir humanos, deve obedecê-lo e se proteger. Bom, eu quis criar leis diferentes que obedeceriam ao controle da Terra. E por isso Adam passaria muito tempo reprogramando justamente para mostrar que ele não consegue fugir de seu condicionamento.
  • A mancha negra e o sinal fantasma: A ideia por trás destes dois itens é a ideia literal de romper a fronteira do espaço. eu gastei muito tempo pensando em como poderia ser do outro lado e descartei praticamente tudo. mas o ponto de haver uma missão que o compele a ir sempre em frente resolvia muitos problemas e encurtava muito o livro como um todo. mas e então, e quando você alcança? Volta pra casa? Começa de novo? Mesmo depois de mil anos? Por isso quis que as histórias convertessem, pois o fim de duas jornadas poderiam clarear os mesmo questionamentos. Depois que você exaure as opções, porque continuar. E quem continua a partir dai.
  • A destruição da Terra. Esse é uma construção de conceitos que ficou complexa. A sociedade fictícia e condicionada evoluiu em mil anos. A sociedade ficou mais extrema no condicionamento. Então eu precisava subverter o condicionamento para sequestrar a todos. Assim traria de volta o medo da morte e assim fazê-los pensar em vez de existir por inercia. Mas acho que fui muito longe neste caso.

Existiram outros conceitos mas estes são os mais importantes, esperam que tenham gostados.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A prestidigitação das palavras.

Tudo que um autor pode fazer com sua ideia é embaralhar e embaralhar até o leitor achar que ela desapareceu.


É assim que eu penso, mas acho que essa frase não é minha porque na verdade já escutei algo parecido com artistas ou diretores. De um jeito ou de outro pego um filme que muitos devem conhecer, Rocky.

No começo do filme todo mundo sabe que vai haver uma luta em que tudo está em jogo. Mesmo assim todos torcem por Rocky. E de um jeito ou de outro gerou 7 franquias. Porque? Acho que artisticamente falando só vale a pena falar dos I e II, até porque o I foi pensado, produzido e co-dirigido pelo então desconhecido Silvester Stalone. O II também, mas então já era conhecido.
O Fato é que Rocky é um homem simples, um cidadão comum, sem nenhum talento particular que deu a sorte, ou azar, de ser branco. Por ser pobre e sem educação não tinha outra perspectiva se não lutar. E tudo é difícil pra ele, trabalho, treino (que só pode fazer no açougue ou correndo na rua), convencer Mickey a treina-lo, conquistar Adrian, aguentar os socos de de Apollo e até conseguir a benção do padre. Mas tudo isso são obstáculos que o público pula junto Rocky E chega na luta final.

Meu livro acho que compliquei um pouco mais:

Primeiro que acho que um trabalho importante foi a parte tecnológica espalhada pelo livro todo. Eu fiquei um pouco decepcionado comigo pelo fato de alguns leitores acharem essas partes como um obstáculo. Eu tentei deixar o mais light que pude, mas para ser realista com tecnologia, para não ser uma varinha de condão em que de repente tudo funciona, tive que entrar em detalhes. Alias, sugiro para futuro leitores que se você não for um fã de tecnologia para ler sem se preocupar tanto com os detalhes, pois as tecnologias são isso mesmo, tecnologias! máquinas, programas, procedimentos.

Em segundo lugar fico contente com algo que foi muito difícil que foi a narrativa vai e volta. Pelos leitores atuais eu vejo que funcionou. Essa narrativa era muito importante porque na verdade é uma iteração para um ponto. Os dois caminhos, tanto no passado quanto no futuro convergem para um mesmo significado e é isso que da sentido ao final. Mas no final temos a exploração de planetas comparada com a exploração da sociedade.

Acho que não há mais complicações que isso, mas mesmo assim, aparentemente, consegui criar um suspense bom que interessa o leitor até o final.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Tecnologias parte 2

Quero agora aproveitar para postar e detalhar outras tecnologias que eu imaginei, mas cortei pelo tamanho, mas que também possuem bases plausíveis:


"As naves cruzadoras tinham por princípio sustentar a vida por períodos longos. Sendo que a maior parte do tempo seria dada à hibernação. Então surgiu a necessidade de uma nave ser construída no espaço. E nunca pousam na Terra ou em planetas conhecidos, apenas em planetas desconhecidos que há procedimentos para entrada com a nave toda, e mesmo assim, em casos extremos. Uma nave cruzadora também pode ser pousada para constituir uma atmosfera terrestre. Na Terra apenas naves de curto alcance para as estações orbitais onde elas ficavam estacionadas esperando a viagem logo depois de prontas. As naves cruzadoras são construídas exclusivamente para uma viagem específica, sem esperar retorno, com naves construtoras robôs e com matéria prima processada de planetas em usinas orbitais e cadeias de suprimentos de diversos planetas e luas. As placas de aço são fabricadas com um spray de metal derretido, de várias bitolas, que forma uma lâmina no espaço, que logo é cortado e acabado para a nave de forma a facilitar a construção do ambiente, criando várias estruturas. Depois nas naves são instalados dispositivos até sua operacionalização e enfim, têm-se uma cidade móvel."

Essa ideia vem do fato de no planeta OGLE-TR-56 se chove ferro derretido. Em diversos planetas há nuvens que poderiam ser sugadas, como nuvens de metano formando diamantes, e  jateadas para o espaço, o que facilitaria a produção de qualquer coisa.

"Os estimulantes distintos começam a ser usados. Para melhorar a eficiência Um padrão de exercícios é programado para se manter acordado por quatro dias de trabalho. Para economizar energia Adam fica sentado numa cadeira com uma tela de exibição verde à sua frente e a rede de eletro estimulação em arco de meio metro de diâmetro e sua cabeça ao centro. Em sua Coluna Cervical introduziu agulhas que o estimula eletricamente em baixa freqüência, exatamente como a parte elétrica de uma máquina de eletro-foto estimulação, mas mais eficiente com o objetivo de mantê-lo acordado. Nos quatro dias ele conseguiu com Heitor montar este equipamento. Agora precisa experimentá-lo."

"As máquinas enterram até o centro de cada lado do cérebro as agulhas, acomodam os finos cabos e fecham a incisão que contêm a pulseira de estimulação. Ligam alguns chips para monitoramento na pulseira de restauração da coluna vertebral e também a deixam dentro do corpo de Adam. Por fim o hibernam. No estado hibernado, monitoram a reconstrução de tecidos até que o humano esteja fora de risco. Estimulam pontos defeituosos para que lentamente se regenerem. Não conseguem fazer verificação sobre a memória de Adam, mas lentamente reconstroem o cérebro auto-lesionado dele. Dado do estado criogênico da hibernação alem do processo de recuperação natural do corpo humano, essa situação se prolonga por 9 anos."

Ultimamente eu cruzei com alguns artigos, inclusive envolvendo o nome de Stephen Hawking sobre coisas que podem acabar com o ser humano. Uma delas seria o transhumano, humanos que são alterados geneticamente para serem superiores e por fim se tornaria uma outra espécie que caçaria os humanos. Quando eu escrevi essas passagens, ou mesmo a arquitetura perfeita de Adam, não pensei nisso, mas acho muito legal ser algo que tenha tido a atenção de outras pessoas. Essas passagens seriam o começo de Adam se alterando.

Por último queria ressaltar que a Foto-Eletro-Estimulação seria uma espécie de cinema em que alguns pads ligados à pele de quem experimenta estimulando mais as ondas que por fim melhorariam o aprendizado. E recreativamente seria o grande entretenimento da época e o preferido de Adam.

É isso ai, abraços.

domingo, 2 de outubro de 2016

Tecnologias parte 1

Eu deixei claro no livro que o tempo em que ele se passa é num futuro distante. Mas existem já diversas tecnologias e conhecimentos no mundo de hoje que permitem a extrapolação para a escrita e para outras formas de arte. Particularmente eu acredito que o primeiro passo para inovar é imaginar algo novo. E dessa nova ideia se espraiam conhecimentos e testes e a realização do que um dia foi só um sonho.
Então vamos por partes.
Em primeiro lugar vamos falar da China. Esse país vem anunciando que tem planos para automatizar toda a sua produção. Ou seja, a mão de obra chinesa pode se tornar 100% composta por robôs. Não quero entrar num debate técnico, mas se a china fizer os outros países farão. Então como você acha que será o futuro então? o que as pessoas vão fazer?
Também recentemente Elon musk, o CEO da SpaceX anunciou recentemente que tem o objetivo de colocar um milhão de pessoas habitando no espaço. Essa é outra questão curiosa. Nós como espécie ocupamos uma parte pequena do nosso planeta, porque as maiores partes que são as profundezas do oceano, a atmosfera e o subterrâneo não temos ainda tecnologias suficientes para ocupar.
Também em dezembro de 2017 o russo Valery Spiridonov se submeterá à primeira operação de transplante de cabeça performada pelo Dr. Sergio Canavero. Com isso ele pretende curar a condição de degeneração muscular do russo com ele recebendo um novo corpo. O Dr. Canavero já lesionou espinhas de ratos e com sucesso transplantou cabeças desses ratos para outros e conseguiram voltar a andar.
E antes disso tudo já temos o caso bem sucedido de clonagem da ovelha Dolly.
Com todas essas idéias e experiências em curso fica fácil imaginar que eventualmente, num espaço de 50 anos mais ou menos, algumas delas darão certo. E se você tem uma cabeça aberta, também fica fácil imaginar como pode ser o mundo combinando algumas delas.
Quando eu comecei a escrever esse livro eu queria ter só ideias originais e palpáveis. e fiquei surpreso em descobrir todas essas pesquisas em andamento que realmente tornam possíveis essas idéias e questionamentos.
Além delas eu também pensei numa série de descrições de novas tecnologias que acabei tendo que cortar pelo tamanho do livro. Mas agora pretendo usar o espaço do blog para contar mais pra frente outras idéias.
Então para encerrar esse post eu gostaria de propor uma pesquisa no google da sua ideia mais improvável e postar de uma breve pesquisa o quanto você acha que estamos perto.

Abraços.

sábado, 1 de outubro de 2016

Sobre alguns personagens

Ola novamente,

Eu já falei um pouco de Bastian, mas acho interessante contar mais um pouco sobre ele e outros. Bastian é o personagem mais perverso do livro. Também é frustrado porque teve todos os seus méritos reconhecidos, mas alem de ser geneticamente inferior ao seu amigo, o governo teria trabalhado para isola-lo. Ele teria sido um dos grandes componentes da Renovação a qual Kréshn teria tomado seus louros e assumido o controle político da Terra através da gestão dessa inovação.

Falando de Kréshn, inicialmente ela era um personagem homem chamado Kreman. Eu admito que a única mulher realmente pré-programada para estar no livro foi Christine. Mas no meio de uma das revisões vi um TED talk em que o palestrante falava de uma lei para saber se sua história empodera as mulheres, assim por dizer. Seriam:

-Há outra mulher alem da mocinha na história?
-Se há, elas falam entre si?
-Se sim, é sobre o herói masculino?

Meu livro não atendia a nenhum desses critérios.

E eu achei um absurdo da minha parte porque inclusive são regras bem claras e simples de se seguir. Eu pensei então eu criar alguns romances lésbicos ou outras linhas atuação para Christine. Mas o livro não teria nada haver com isso e eu já estava tentando cortar histórias.

O que fiz foi mudar dois personagens masculinos para femininos. Kreman viraria Kréshn e Florian Bismark se tornaria Floriane Bismark.

Kréshn foi interessante. Minha revisora gostou tanto que chamou ela de "a mãe dos homens". Acho que realmente ficou bom. De um "homem branco político típico" se tornou uma mulher obstinada que supera suas fragilidades com garra, e um certo tom de insegurança.

Bismark foi o mais difícil. Eu queria um guerreiro. alguém letal. E realmente não acho que em termos de duelos físicos que muitas mulheres podem ser páreas para homens lutadores. Claro, ginastas, lutadoras de UFC entre outros poderiam sim e também numa realidade de ultra tecnologia não seria problema. Mas a personalidade de uma guerreira acabou encaixando muito bem em termos de ataques espaciais.

Por último Christine. Se você não me achava machista antes, provavelmente vai achar agora. Christine é o nome de uma atriz porno que achei bonita. Mas a figura que mais me inspirou a imaginá-la foi a a personagem do filme 1984 Júlia, representada pela atriz Suzana Hamilton. na face elas não se parecem na minha mente, a face seria mais como a Dorothy do mágico de Oz interpretada por Judy Garland. Mas a postura de Júlia seria a mesma de Christine.

Em termos de personalidade essa foi uma personagem que sofreu muitas alterações. Eu imaginava que para alguém que já vivia com alguém a décadas, apesar da aparência jovem, teria uma personalidade de idosa chata, mas que a renovação lhe daria energia que a faria evoluir de birrenta para feroz. E essa ferocidade confundia o leitor no sentido de que como ela amava Adam se estava sempre brigando? Uma das cenas dela que eu mais gostava e cortei foi quando ela quebrou um cálice de champanhe na cara de Adam. 

Então ela acabou se tornando determinada, forte, comandante e decepcionada. (SPOILER) Adam sempre escolhe a sua missão ao invés dela, sendo que ela faz o oposto, manipula suas missões para seus interesses. Por mais que isso pode passar uma submissão, essa característica leva a um dos cernes do livro, em que o condicionamento que as pessoas sofrem poderia ser quebrado, se percebessem um propósito melhor ou maior.